Comunicação & Cidadania

Um espaço para discutir o papel da Comunicação no desenvolvimento social e na consolidação da democracia. Edição: Cristina Sales. TWITTER: comcidadania / ORKUT: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=33798239

1/7/11

Conar: caça às “bruxas” ?

“Vale a fantasia de trocarmos o nome Instituto por outro mais característico – a bruxa Alana, que odeia criancinhas”. Essa frase resume a falta de seriedade e de compromisso do Conar com a ética e com a sociedade brasileira. Ela consta no parecer do conselheiro Enio Basílio Rodrigues sobre denúncia que o Projeto Criança e Consumo fez à entidade contra uma campanha do McDonald’s durante o trailer da animação infantil “Rio”.

A representação enviada ao Conar teve como base argumentos jurídicos, científicos e políticos para questionar a publicidade do McLanche Feliz com brindes do filme “Rio”, que falava diretamente com crianças menores de 12 anos. Ainda mostrava como a empresa feria seu próprio código de ética e o acordo de autorregulamentação firmado junto à Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos) e à ABA (Associação Brasileiras dos Anunciantes), em 2010.

Segundo esse acordo, o McDonald’s não poderia anunciar nada, nenhum tipo de produto, para crianças menores de seis anos. Acontece que o filme “Rio” tinha classificação indicativa livre, e milhares de meninos e meninas pequenos foram impactados pela campanha. Vale lembrar que a tal publicidade chamava mais atenção dos brinquedos com personagens do filme do que do produto em si, induzindo a criança a querer o McLanche para ter os brindes.

A venda de alimentos com brinquedos vem sendo criticada em todo o mundo – e definitivamente não é uma bandeira só do Instituto Alana. No Brasil, o Ministério Público Federal instaurou inquérito em 2009 para investigar essa prática em três cadeias de fast food. A Assembleia de Belo Horizontre acabou de aprovar um projeto de lei que proíbe venda de lanches com brindes para crianças. Fora as várias proposições que tramitam no Congresso Nacional sobre essa questão.

Mas o conselheiro do Conar se limitou a dizer: “Da mesma forma que Suécia e Dinamarca tem por base evitar que suas crianças de olhos azuis fiquem gordinhas, o Brasil tem por base acabar com a desnutrição dos nossos meninos moreninhos”. E o que o Conar tem a dizer a respeito do dado do Ministério da Saúde de que 30% de nossas crianças estão com sobrepeso e 15% já estão obesas?

O parecer de apenas duas páginas tem distorções e ofensas que jamais foram vistas em cinco anos de atuação do Projeto Criança e Consumo. E vale ressaltar: mesmo com tantos absurdos, o Conselho do Conar votou por u-na-ni-mi-da-de a favor do parecer.

Por isso, pela total falta de respeito com que esse caso foi julgado, não reconhecemos mais o Conar como uma entidade séria e legítima para garantir a ética na publicidade brasileira. Entendemos que uma autorregulamentação como essa de fato não protegerá a infância brasileira dos abusos comerciais.

É preciso uma legislação específica que proteja nossas crianças desses abusos. De novo: essa não é somente uma preocupação do Alana, mas também de 76% dos pais brasileiros que afirmaram em pesquisa do Datafolha que a publicidade de fast food prejudica seus esforços na educação alimentar de seus filhos.

Fonte: Consumismo e Infância - Redação em 29 Junho 2011 - Política e Legislação

1/4/11

Programação BNDES no É Tudo Verdade 2011

O BNDES está patrocinando mais uma vez o É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários. Este ano, o Banco ampliou sua participação no evento, viabilizando a realização de debates e a exibição de filmes  no Auditório BNDES (Avenida República do Chile, 100 – Centro - RJ), sempre com entrada franca. A programação é a seguinte:

 

Dia 5 de abril – terça-feira

 

·        14h às 15h30min – Debate “O mercado internacional para o cinema não-ficcional brasileiro”, com participação de Luciane Gorgulho (BNDES), Alberto Flacksman (Ancine), Anna Glogoswski (France 2/DocLisboa) e Daniela Capelatto (produtora). Mediação de Amir Labaki.

 

·        16h às 17h30min – Debate “O mercado brasileiro para documentários”, com Jorge Bodanzky (cineasta), Mauricio Andrade Ramos (Videofilmes) e Paulo Mendonça (Canal Brasil). Mediação de Pedro Butcher (Filme B).

 

·        18h - Pandemonium, de Jorge Bodanzky.

 Investiga os impactos das mudanças climáticas e os novos desafios na área energética.

 

Dia 6 de abril – quarta-feira

 

·        18h - São Miguel do Gostoso, de Eugênio Puppo.

  Aborda o impacto do turismo sobre a pequena cidade litorânea potiguar.

 

Dia 8 de abril – quinta-feira

 

·          18h - Reidy, A Construção da Utopia, de Ana Maria Magalhães.

Contemplado pela Seleção Pública de Projetos Cinematográficos BNDES - 2009. Aborda a obra do arquiteto e urbanista Affonso Eduardo Reidy.

 

 

O É Tudo Verdade 2011 acontece de 31 de março a 10 de abril, simultaneamente em São Paulo e no Rio de Janeiro. A entrada é gratuita em todas as salas de exibição, condicionada à lotação dos cinemas. Para saber mais sobre a programação, visite a página do evento: www.etudoverdade.com.br

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9/12/10

Cartilha ensina a fazer rádio comunitária com licença Creative Commons

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), através da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação (PPGCOM), está publicando a cartilha “Para fazer RÁDIO COMUNITÁRIA com “C” maiúsculo.

A obra é organizada por Ilza Girardi, professora do PPGCOM, e Rodrigo Jacobus, mestrando do programa, e dá sequência a um trabalho de seis anos que já havia publicado a “Cartilha (sem frescura) da Rádio Comunitária”.

A cartilha, que traz um histórico das rádios comunitárias, questões da legislação e fornece informações de como montar uma rádio, está sobre licença Creative Commons e pode ser distribuída gratuitamente sobre a mesma licença, que pode ser conferida na página 4 da obra.

Baixe seu exemplar e redistribua a cartilha, reforçando a importância de obras compartilhadas sem custo, priorizando o acesso livre à informação. http://webresearch.files.wordpress.com/2009/07/cartilha.pdf

Fonte: http://www.abong.org.br/final/noticia.php?faq=19826

criado por cristinasales    19:40:49 — Arquivado em: Cidadania Ativa, Publicações

3/11/10

As reais ameaças à liberdade de expressão no Brasil

Cenário das comunicações no Brasil

O Brasil tem um enorme déficit democrático neste setor. Hoje a realidade é de um sistema predominantemente comercial, concentrado e excludente, em que a maior parte da sociedade não participa e nem tem mecanismos para fazer circular seus pontos de vista. Para se ter uma ideia, a soma da participação das quatro primeiras emissoras de TV, todas elas de perfil privado-comercial, é de 83,3% no que se refere à audiência e 97,2% no que se refere à receita publicitária. Esses índices são alarmantes em qualquer mercado, e especialmente preocupantes em um setor cuja acessibilidade é essencial para o exercício da democracia. O sistema público de comunicação, que poderia ser um instrumento para mudar essa realidade, ainda é incipiente no país. Só em 2007 o Brasil se colocou o desafio de criar uma TV pública de abrangência nacional, e ela ainda tem um alcance restrito.

No campo do jornalismo impresso, há uma predominância significativa de veículos com posições políticas de direita e de centro, e são exceções raras, quase singulares, os veículos com posição progressista. Nesse cenário, a clara tomada de posição e partidarização dos veículos, que poderia ter caráter positivo em um cenário mais plural, desequilibra o debate público e afeta a democracia brasileira. Ressalte-se que a inexistência de pluralidade e diversidade neste setor não é fruto da ‘vontade do leitor’, mas da ausência de políticas públicas em um mercado que tem altíssimas barreiras de entrada e de permanência. Neste momento, o único espaço em que o debate se dá de forma mais plural é na internet, que tem tido papel significativo na ampliação do debate público, mas que enfrenta limites claros de acesso, como veremos mais adiante.

O conteúdo dos meios de comunicação também reflete esse quadro desequilibrado. A diversidade do Brasil não encontra espaço nos grandes meios. Ao contrário, há um tratamento estereotipado e discriminatório especialmente em relação a mulheres, negros e homossexuais, e as pessoas que se veem atingidas por essa programação não têm meios de se defender. Os movimentos sociais são ou invisibilizados ou criminalizados e perseguidos, enquanto os grandes grupos econômicos encontram amplo espaço para apresentar seus pontos de vista. A liberdade de expressão nos grandes veículos é realidade apenas para nove famílias; os outros 190 milhões não têm outra liberdade senão mudar de canal ou desligar a TV ou o rádio.

Déficit na regulamentação do setor

A legislação que trata sobre a rádio e televisão é ultrapassada e fragmentada – basicamente retalhos de leis da década de 1960, do tempo da TV em preto e branco. A Constituição Federal, que avançou na garantia de direitos ao povo brasileiro, incluiu um capítulo exclusivo sobre a Comunicação Social, mas, depois de 22 anos, ainda aguarda regulamentação de três do seus cinco artigos.

O artigo 220 da CF determina a proibição direta e indireta a monopólios e oligopólios nos meios de comunicação social, mas as únicas regras que existem sobre isso são da década de 60 e tratam apenas de limites de propriedade (quantos canais podem estar na mão de uma mesma entidade), sem considerar fatores chave como audiência e investimento publicitário. É preciso impedir a concentração das emissoras em todo o setor produtivo da comunicação por meio da regulamentação de novos limites à propriedade, audiência e investimento publicitário, e da implementação de políticas públicas que favoreçam a pluralidade e diversidade de vozes na mídia brasileira.

No mesmo artigo 220 está previsto que sejam criados meios legais para a população se defender de programação que atente contra os princípios constitucionais – outro ponto que segue sem qualquer regulamentação, impossibilitando o direito de a sociedade responder as arbitrariedades ou violações de direitos humanos praticadas pelas emissoras de rádio e TV.

Para o artigo 221, que busca garantir espaço no rádio e na TV para programas produzidos regionalmente e para a produção independente, existe um projeto de lei com proposta de regulamentação desde 1991, mas ele está engavetado no Senado. É preciso criar percentuais mínimos destas programações como forma de garantir o respeito a constituição.

Também a complementaridade entre os sistemas privado, público e estatal, prevista no artigo 223, nunca foi regulamentada, e precisaria virar realidade para que se possa equilibrar o poder das grandes redes privadas (que representam atualmente cerca de 90% das emissoras no país) e garantir espaço para constituição do sistema público e estatal.

Para se pensar o conjunto da regulamentação do setor, deveríamos incluir, além disso, regras democráticas para as concessões de rádio e TV – que hoje são efetivamente capitanias hereditárias, por terem, na prática, renovação automática – e para as rádios comunitárias – que a lei atual confina à marginalidade. Seria necessário, ainda, promover a pluralidade e a diversidade nos meios de comunicação, garantir acesso às tecnologias de informação e comunicação e, mais do que tudo, garantir instrumentos de participação popular na definição das políticas e no acompanhamento do setor.

A realidade do acesso à banda larga

Enquanto a radiodifusão e a imprensa seguem como espaços de difícil acesso às condições de produção, a internet é um espaço aberto e democrático, e tem contribuído para a efetivação do direito à comunicação. Contudo, o Brasil não trata do acesso à banda larga como um direito do cidadão. Esse acesso é hoje caro, ruim e limitado. Apenas 27% das residências no Brasil têm acesso à banda larga. Se tomarmos as classes D e E em conjunto, esse número cai para 3%.

Também é relevante notar que 48% das pessoas que não têm internet em casa atribuem ao alto custo do serviço o principal motivo para isso. O valor médio pago pelos brasileiros para ter banda larga em casa corresponde a 4,58% da renda per capita no país. O valor é mais que o dobro do México e mais de 9 vezes o valor dos Estados Unidos. Assim, mesmo quem pode pagar compromete uma parte significativa de seu orçamento familiar com este investimento.

Isso deve mudar com o Plano Nacional de Banda Larga, mas mesmo o plano – que é bom, ressalte-se, mas insuficiente – não fala em universalização, apenas em massificação. Para mudar esse quadro, é preciso garantir a universalização do acesso à internet em alta velocidade, com tarifas reguladas e garantia da qualidade do acesso. O serviço de banda larga deve ser prestado em regime público (conforme o artigo 18 da Lei Geral de Telecomunicações) garantindo participação de empresas públicas e privadas. Além disso, é necessário que a sociedade civil continue participando na implementação do PNBL, com a garantia de maior acesso e participação nas decisões sobre as políticas para banda larga.


A comparação com outros países

A regulação dos meios de comunicação existe em países como França, Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Portugal e, agora, de forma consistente, na Argentina. Em todos esses países há órgãos reguladores que incidem sobre questões de concentração de mercado e também sobre questões de conteúdo. Há regras que incentivam a pluralidade e a diversidade nos meios de comunicação, inclusive a pluralidade política, protegem o público infantil, e mecanismos para a população se defender de programação que atente contra a dignidade humana. No Brasil, nem um órgão regulador independente nós temos, já que a Anatel não é responsável pela regulação do setor de radiodifusão.

Questões que aqui são consideradas tabu são tratadas na mais absoluta normalidade até em países com forte predomínio liberal, como os Estados Unidos. Apenas como exemplo, em 2004, o FCC, que é o órgão regulador nos EUA, queria diminuir os limites à concentração (que, mesmo com as mudanças, seriam ainda mais fortes que os do Brasil). Houve pressão popular contra a medida e, quando ela chegou ao Congresso, até os republicanos votaram contra. Isto é, medidas que por aqui são consideradas radicais, por lá são defendidas pelo partido de Sarah Palin.

O processo da Argentina, que resultou na nova Lei de Comunicação Audiovisual, foi positivamente exemplar. Ele é fruto da combinação de setores sociais organizados com vontade política do governo. A lei aprovada cria condições para a ampliação do exercício da liberdade de expressão e está amparada em toda a legislação internacional de direitos humanos. Ali estão tratadas todas as questões importantes para a regulação do setor audiovisual. É fundamental, por exemplo, a reserva de um terço do espectro eletromagnético para meios de comunicação sob controle de entidades sem fins de lucro. Essa medida, tratada por aqui como se fosse um absurdo, é apoiada pelos relatores de liberdade de expressão da OEA e da ONU.


Liberdade de expressão e controle social

Em meio a esse cenário, o discurso da liberdade de expressão tem sido usado como justificativa para calar setores inteiros da sociedade. Não se pode deixar, contudo, que os setores conservadores se apropriem e distorçam o sentido dessa bandeira. A defesa da liberdade de expressão deve ser uma bandeira dos setores progressistas, daqueles que nunca tiveram voz e sempre precisaram lutar contra as opressões. É preciso ainda uni-la à bandeira do direito à comunicação, que implica obrigações para o Estado em garantir a toda a população o direito a produzir, difundir e acessar informações, com a criação de mecanismos que enfrentem limites técnicos, políticos, econômicos e culturais que dificultem esse exercício.

Além disso, se tomadas as principais lógicas que sustentam a liberdade de expressão, como a busca da verdade e o fortalecimento da democracia, este direito precisa vir acompanhado do direito à informação, que implica na garantia de que informações não sejam omitidas e que todas as diferentes perspectivas e visões sejam postas em cena. Sem isso, os objetivos intrínsecos à defesa da liberdade de expressão ficam tão prejudicados quanto no caso das ameaças diretas a essa liberdade.

A liberdade de expressão, além do mais, não exime nenhum ator – público ou privado – da responsabilidade sobre o que é dito ou veiculado. Essa responsabilização ulterior é totalmente democrática, prevista no mesmo artigo da Convenção Americana de Direitos Humanos que trata da liberdade de expressão, e deve vigorar especialmente no caso da violação a outros direitos humanos e a outros princípios constitucionais. Não é por acaso que a própria Constituição Brasileira prevê, no mesmo artigo que trata da liberdade de expressão, a existência de mecanismos legais para que a população se defenda desse tipo de conteúdo. Não há, contudo, mecanismos implementados para este controle social.

Ao afirmar a necessidade de mecanismos de controle social – necessidade nunca reconhecida nem implementada pelo atual governo –, o que queremos é justamente garantir que um serviço público, como é a radiodifusão, atenda ao interesse público. Na prática, isso significa garantir o controle do conjunto da sociedade, contra arbitrariedades do setor privado ou do governo, sobre três aspectos: a regulamentação e as políticas públicas para o setor, o serviço prestado e o conteúdo exibido.

Exemplos concretos de mecanismos para isso seriam, no primeiro caso, a existência de conselhos e conferências que determinem diretrizes para as políticas públicas, como acontece na área da saúde. No segundo caso, garantir ao cidadão, usuário desse serviço público, a possibilidade de monitorar e lutar pela qualidade deste serviço. Para isso são necessários desde mecanismos mais simples, como a criação de ouvidorias que recebam denúncias (os cegos, por exemplo, até hoje não contam com o serviço de audiodescrição, previsto em lei, e não têm para quem reclamar), até outros mais complexos, como a abertura de espaços de consulta sobre o processo de renovação das concessões.

No terceiro caso, para o controle social de conteúdo, é preciso garantir o cumprimento da Constituição, que prevê o direito de resposta proporcional ao agravo e a existência de meios legais para o cidadão se proteger de conteúdo que viole o disposto na própria carta magna. Hoje, por exemplo, se um meio de comunicação pratica violações de direitos humanos, a única opção de quem se sente atingido é acionar o Ministério Público Federal ou entrar diretamente com um processo, o que demanda tempo, dinheiro e conhecimento técnico. Não há uma via não judicial, rápida, que proteja o interesse do espectador. Mesmo entidades organizadas têm enorme dificuldade de se contrapor ao poder das emissoras, chegando a aguardar seis anos por um direito de resposta (como no caso da Ação Civil Pública apresentada pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades – CEERT – contra os frequentes ataques da Record às religiões de matriz africana). As emissoras, concessionárias de um serviço público, têm um poder absolutamente desigual em relação ao espectador, suposto beneficiário deste serviço.


A experiência da Conferência Nacional de Comunicação

Foi para buscar soluções para essas questões que foi realizada, em 2009, a 1ª Conferência Nacional de Comunicação. Apesar de adotar algumas regras estranhas aos processos democráticos de conferências adotadas pelo Governo Federal, como privilégio claro ao setor empresarial, a Confecom teve 633 propostas aprovadas1 (sendo 569 delas por consenso ou com mais de 80% de votos favoráveis) que determinam uma agenda progressista para o setor da comunicação.

Com a realização de etapas locais nos 26 estados e no Distrito Federal, foram envolvidas diretamente cerca de 15 mil pessoas dos mais diversos segmentos sociais. Este processo é um passo fundamental para a criação de uma política pública de comunicação estabelecida a partir do diálogo e participação de milhões de brasileiros.

Entre as propostas aprovadas, destacamos:

  • a afirmação da comunicação como direito humano, e o pleito para que esse direito seja incluído na Constituição Federal;

  • a criação de um Conselho Nacional de Comunicação que possa ter caráter de formulação e monitoramento de políticas públicas;
  • o combate à concentração no setor, com a determinação de limites à propriedade horizontal, vertical e cruzada;
  • a garantia de espaço para produção regional e independente;
  • a regulamentação dos sistemas público, privado e estatal de comunicação, que são citados na Constituição Federal mas carecem de definição legal, com reserva de espaço no espectro para cada um destes;
  • o estímulo à criação de redes locais e regionais de rádios públicas, estatais e comunitárias.;
  • o fortalecimento do financiamento do sistema público de comunicação e das emissoras comunitárias, inclusive por meio de cobrança de contribuição sobre o faturamento comercial das emissoras privadas;
  • a descriminalização da radiodifusão comunitária e a aprovação de mudanças em sua regulamentação, com a abertura de espaço significativo no dial ao serviço, hoje confinado a uma frequência por localidade;
  • a definição de regras mais democráticas e transparentes para concessões e renovações de outorgas, visando à ampliação da pluralidade e diversidade de conteúdo;
  • a definição do acesso à internet banda larga como direito fundamental e o estabelecimento desse serviço em regime público, que garantiria sua universalização, continuidade e controle de tarifas;
  • a implementação de instrumentos para avaliar e combater violações de direitos humanos nas comunicações;
  • o combate à discriminação de gênero, orientação sexual, etnia, raça, geração e de credo religioso nos meios de comunicação;
  • a garantia da laicidade na exploração dos serviços de radiodifusão;
  • a proibição de outorgas para políticos em exercício de mandato eletivo.

No próximo período, é necessário que o poder público, em articulação com a sociedade civil, consiga transformar as resoluções da Conferência em um conjunto de leis e políticas públicas, garantindo a participação social no processo de elaboração e implementação dessas ações. Se o objetivo é, de fato, garantir a ampla e verdadeira liberdade de expressão e o direito à comunicação dos brasileiros, este deve ser o principal compromisso dos candidatos/as que forem eleitos ao Legislativo e ao Executivo.

Fonte: www.intervozes.org.br

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22/6/10

Pitching do Futura seleciona projeto de documentário

O Canal Futura divulga seu 1º Pitching para Documentários, o Doc Futura. Os projetos devem ser para documentários de 52 minutos, abordando  o tema pobreza. A produtora selecionada vai co-produzir o documentário, que será exibido no Canal Futura em dezembro de 2010, na programação especial de fim de ano.

A proposta do pitching é usar a linguagem do documentário para refletir sobre os motivos que fazem com que mais de 1 bilhão de pessoas ainda vivam com menos de 1 dólar por dia. Mas também se pretende dar um “olhar brasileiro” para o tema.

O objetivo é buscar ideias provocativas e inovadoras que fujam do lugar-comum. A pobreza pode ser vista pelo viés político, social, econômico, cultural e outros.

Saiba mais: www.futura.org.br

criado por cristinasales    23:05:24 — Arquivado em: Cinema e Vídeo, Oportunidades — Tags:,

22/5/10

Cinema Nosso exibe suas produções

A Produtora Escola Cinema Nosso exibe no próximo dia 27 de maio (quinta-feira), no Espaço Cinema Nosso, às 19h, suas obras cinematográficas, “Feliz Páscoa” (foto), “Amanhecer”, “Tá Bom Aí?” e “Família Vegan”.Após a sessão haverá debate sobre alimentação, mantendo a sequência de debates que norteou a Mostra: no primeiro dia (11/05), o tema debatido foi “drogas sintéticas”; no segundo (19/05), o tema foi “homossexualidade”. A entrada é gratuita e aberta ao público.

http://www.cinemanosso.org.br/

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Escola de cinema de Cuba procura coordenador

A Escuela Internacional de Cine y TV de San Antonio de lo Baños está procurando um novo Coordenador para a Cátedra de Documentário. O Candidato deverá ter experiência previa na área e perfil de produtor.

O Coordinador da Cátedra de Documentário trabalhará sob a Direção do Chefe de Departamento de Documentário, Russell Porter (Australia) o do Chefe de Departamento Adjunto de Documentário: Senobio Faget (Cuba)

Periodo: Novembro 2010 – Juho 2011 Curso Regular de 3 anos 2010-2011

Além de um salário mensal em CUC, as condições de contratação incluem passagem de aérea de ida e volta do pais de residência permanente, hospedagem (apartamento destinado ao pessoal docente) nas próprias instalações da EICTV, alimentação (na EICTV) e seguro de saúde.

Requisitos: Apresentação de CV.

Mais informações: María Julia Grillo. Coordenadora Académica EICTV mjgrillo@eictv.org.cu

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20/5/10

Visões Periféricas 2010 abre inscrições

Estão abertas até o dia 30 de junho as inscrições para o Festival Visões Periféricas 2010. Este ano o festival que chega a sua 4ª edição realiza quatro mostras competitivas (Visorama, Fronteiras Imaginárias, Tamonjuntoemisturado e Imagens Remix) e ainda duas mostras temáticas (Cinema da Gema e Periferia Animada). Para as competitivas serão distribuídos 16 mil reais em prêmios. As mostras serão exibidas em salas de cinema e também na internet. O festival também segue com a mostra internacional Ibero-americana que irá reunir filmes realizados em contexto de formação em audiovisual em escolas, cursos e oficinas localizados nos países dessa região. Os realizadores interessados em se inscrever devem ler atentamente o regulamento e escolher a opção de mostra em que melhor se encaixa a sua obra. O Festival Visões Periféricas 2010 será realizado no mês de setembro com data e local a serem divulgados em breve pela Organização do evento.
Saiba mais: www.visoesperifericas.org.br

criado por cristinasales    22:30:55 — Arquivado em: Agenda, Cinema e Vídeo, Festivais e Prêmios — Tags:, ,

26/3/10

LEG seleciona fotos para mostra no IFCS

Está aberta até o dia 20 de abril a seleção de fotos para a mostra do Laboratório de Estudos de Gênero (LEG) do IFCS/ UFRJ. O tema escolhido é o golpe conhecido como “boa-noite cinderela”, no qual o agressor utiliza as chamadas “drogas de violação” para submeter sexualmente e roubar suas vítimas.

A mostra terá início no dia 28 de abril, quando acontece o encontro “Boa-noite cinderela - Sexualidades periféricas e novas formas de violência”, que debaterá o assunto, sob a coordenação da Dra. Anna Marina Barbará.

Para saber mais, visite o blog do LEG: http://legufrj.blogspot.com/

criado por cristinasales    21:15:45 — Arquivado em: Agenda, Cidadania Ativa

20/3/10

Cultura e comunicação para além do mercado

Simpósio em SP discute integração entre cultura e comunicação na América Latica

Entre os dias 29 e 31/03, acontece em São Paulo o 3º Simpósio Internacional de Cultura e Comunicação na América Latina: integrar para além do mercado. O evento vai discutir a integração regional no
âmbito da cultura e comunicação.

Realizado pelo Centro de Estudos Latino Americanos sobre Cultura e Comunicação (CELACC), o simpósio conta com a participação de diversos acadêmicos, entre eles Laurindo Leal Filho, Emir Sader e Maria
Nazareth Ferreira, além de convidados estrangeiros, como Ricardo Antônio Tena Nunez (Universidade Autônoma do México), Susana Sel (Universidade de Buenos Aires) e Jaime Astudillo Romero (Universidade
de Cuenca).

O encontro será na Fundação Memorial da América Latina, que fica na Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda.

As inscrições podem ser feitas até o dia 23/03 e custam R$ 30.
Para inscrições, programação e outras informações, clique aqui.

http://www.eca.usp.br/nucleos/celacc/simposio

criado por cristinasales    12:33:18 — Arquivado em: Agenda
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