Comunicação & Cidadania

Um espaço para discutir o papel da Comunicação no desenvolvimento social e na consolidação da democracia. Edição: Cristina Sales. TWITTER: Cris__Sales / ORKUT: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=33798239

21/6/06

Publicidade X Responsabilidade Social

Por que a publicidade contradiz a responsabilidade social das empresas?


Nos dias de hoje, quando atuar de forma ética começa a se tornar imprescindível para qualquer empresa que deseje permanecer no mercado por longo tempo, é espantoso que ainda vejamos campanhas publicitárias que contrariam os pressupostos da responsabilidade social, invalidando os esforços que seus próprios anunciantes têm feito para se destacar neste campo.

Embora a responsabilidade social seja freqüentemente confundida com “jogada de marketing”, o que se vê na prática é que, muitas vezes, o marketing e os projetos sociais das empresas caminham em sentidos opostos. Afinal, que tipo de plano de marketing lançaria mão de uma abordagem social para fortalecer a imagem corporativa e a destruiria com campanhas inadequadas de comunicação de produto?

Uma análise apressada pode nos levar a supor que a responsabilidade social corporativa é uma falácia e que, portanto, uma atitude ética não é prioridade em nenhum aspecto da gestão dos negócios. Mas - excluídos os casos em que a propalada "responsabilidade" é apenas uma estratégia para mascarar os malefícios inerentes à própria atividade comercial - um olhar atento revela que algumas empresas estão realmente empenhadas em gerar benefícios sociais. Então parece não estar havendo conexão entre os departamentos que definem as ações sociais e aqueles que aprovam as campanhas de comunicação de marketing.

Outro ponto a ser considerado é que muitas empresas anunciantes e agências de publicidade vêm promovendo uma renovação indiscriminada de seus quadros. É evidente que profissionais cada vez mais inexperientes e ansiosos para mostrar resultados vêm sendo colocados à frente dos processos de criação e aprovação de campanhas.

Some-se a isto o fato de que, mesmo tendo passado a trabalhar voluntariamente para ONGs, a maior parte das agências ainda não conta com profissionais capacitados para lidar com as questões sociais, tratando-as com a mesma lógica utilizada para vender produtos ou desconsiderando-as ao planejar a comunicação de seus clientes pagantes.

Dispondo de orçamentos reduzidos e fortemente pressionadas a criar peças capazes de obter destaque, algumas agências passam a apelar para soluções de comunicação insólitas ou transgressoras. E é assim que o anúncio dito criativo pode vir a ofender importantes parcelas da sociedade, prejudicando a imagem de quem o veicula.

Um exemplo disso é o grande número de casos julgados mensalmente pelo CONAR envolvendo anúncios com mensagens violentas, mentirosas, discriminatórias ou moralmente questionáveis. O mais absurdo é que mesmo vendo suas campanhas serem consideradas inadequadas, alguns profissionais relutam em admitir o erro, apresentando argumentos que banalizam atos condenáveis ou defendem uma suposta liberdade de expressão que não se aplica à propaganda, uma vez que não estamos falando de arte ou cultura, mas de comunicação comercial.

Porém, os consumidores começam a ser dar conta de que são cidadãos. E de que recusar marcas que desrespeitam seus valores, crenças e direitos é uma forma simples de exercer sua cidadania. Portanto, está mais do que na hora de agências e anunciantes passarem realmente a se preocupar com o impacto social das mensagens que veiculam. E não se trata de censura ou conservadorismo: além de uma postura ética, esta é uma questão de bom senso.

Cristina Sales é consultora de Comunicação em causas sociais.  Mestre em Bens Culturais e Projetos Sociais pela FGV/CPDOC, publicitária, pós-graduada em Marketing e em Gestão de ONGs.


criado por cristinasales    18:36:51 — Arquivado em: Artigos, Gestão da Comunicação

Comunicação para a Cidadania

Reunindo trabalhos apresentados, em 2002, no XXV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, o livro "Comunicação para a Cidadania" aborda questões cruciais relacionadas ao desempenho da grande mídia na sociedade contemporânea, especificamente no que diz respeito às formas de controle da informação, às suas contradições e à sua responsabilidade social diante de suas interfaces com o interesse público e o desenvolvimento da cidadania.

A primeira parte do livro trata dos temas Meios de Comunicação de Massa, Democracia e Cidadania. A segunda traz artigos sobre Comunicação Comunitária, Movimentos Sociais, Cidadania e Desenvolvimento Local.

Organizadores: Cecília Maria Krohling Peruzzo e Fernando Ferreira de Almeida. Edição: Intercom / Uneb (2003). Pedidos: (0xx11) 3091-4088 ou intercom@usp.br

criado por cristinasales    17:45:03 — Arquivado em: Publicações
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