Comunicação & Cidadania

Um espaço para discutir o papel da Comunicação no desenvolvimento social e na consolidação da democracia. Edição: Cristina Sales. TWITTER: Cris__Sales / ORKUT: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=33798239

23/1/07

Cinema e web juntos pela cidadania

Projetos na Rede utilizam o cinema para promover a participação

Luzes, câmeras… ação social! Participate.net, CinEscola e Cine y Derechos Humanos são projetos na Internet que aproveitam a sétima arte para sensibilizar e propor ações de participação cidadã.

Olga Berrios - Canal Solidário (17/01/2007)

Esta semana foram entregues os Globos de Ouro e em um mês e meio chegarão os Oscars. O cinema tem a capacidade de emocionar e mobilizar a milhões de almas, mover grandes quantidades de dinheiro e converter-se continuamente em vitrine. Por estas razões não é bobagem querer aproveitar a sétima arte como uma poderosa ferramenta para sensibilizar os cidadãos, praticar o ativismo e construir assim um mundo melhor… também deste lado das telas.

Participate.net é uma “comunidade de amantes do cinema e ativistas dedicados a unir suas mentes, compartir suas paixões e melhorar o mundo que os rodeia”. O projeto é obra da produtora americana Participant, que colaborou com filmes como “Syriana” e “Uma verdade incômoda”.

Cada filme está relacionado com uma campanha e cada campanha conta com un blog no qual os internautas podem publicar suas próprias opiniões e experiências. Por exemplo, a campanha “Stand up” está centrada no assédio sexual e na violência contra as mulheres. Aborda os temas através do filme "En tierra de hombres" (2005) - protagonizado pela atriz Charlize Theron - que conta a história de uma mulher com dois filhos que trabalha em uma mina, uma atividade dominada por homens.

O projeto propõe, entre outras ações, desenvolver uma campanha de assinaturas para que os consumidores e empresários se comprometam a fazer com que seus negócios respeitem os direitos das mulheres empregadas. Além disso, apresentam propostas para que os pais ensinem seus filhos a respeitarem a igualdade entre os sexos; documentos com medidas para evitar os abusos sexuais; sugestões de projetos relacionados com o tema da igualdade de gênero para os quais se pode fazer doações e links relacionados à obtenção de recursos internacionais.

Mas há também campanhas que tratam da dependência do petróleo; da discriminação de pessoas com deficiências, da comida-lixo; da educação da infância e das mudanças climáticas.

CinEscola.info é um projeto da revista digital AulaMèdia que disponibiliza materiais didáticos baseados em filmes. Assim, com “Procurando Nemo”, os alunos aprendem valores como solidariedade. Com “Adeus Lenin”, trabalham sobre acontecimentos históricos como a queda do Muro de Berlín e discutem sobre a paz e os conflitos. Com “Mar adentro”, se aproximam do tema da eutanásia; com “Philadelphia”, do tema da AIDS; com “Te doy mis ojos”, da violência contra as mulheres.

Cada título conta com uma ficha muito completa. Por exemplo, a ficha de “Princesas”, de Fernando Leon, inclui a sinopse do filme, atividades e perguntas sobre a trama e a linguagem audiovisual, além de uma proposta de debate sobre a prostituição e a inserção no trabalho, acompanhada de testemunhos de prostitutas.

Cine y derechos humanos é uma página da Anistia Internacional Catalunha que oferece uma relação de 226 filmes com argumentos relacionados aos direitos humanos, propostas didáticas, sugestões para organizar um cine-fórum e bibliografia relacionada.

Kinoki é um blog sobre documentários e cinema social e político que faz parte do projeto basco de criação multimídia Kinoki Documentales. A página informa sobre concursos de longas e curtas solidários, projetos cinematográficos comprometidos, projetos de televisão alternativa, estréias, convocatórias e subvenções, festivais, ciclos, seminários e outros encontros. Inclui uma seção com links para download de filmes sociais e outros recursos, bem como sites sobre o mundo audiovisual.

Mais informação:

Participate.net (em inglês) http://participate.net

Cinescola.info (em catalão) http://www.cinescola.info/

Cine y Derechos Humanos de AI Cataluña (em espanhol) http://www.amnistiacatalunya.org/educadors/es/index.html

Kinoki (em várias línguas) http://www.noticias.kinoki.org

Fonte: Canal Solidario

http://www.canalsolidario.org/web/noticias/noticia/?id_noticia=8407

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Unirr promove curso de Comunicador Popular

 

Começa em fevereiro o curso Comunicador Popular, oferecido pela União e Inclusão em Redes de Rádio (Unirr), com o objetivo de preparar estudantes de jornalismo, integrantes de rádios comunitárias e pessoas interessadas em rádio para atuar em emissoras comerciais populares e comunitárias.

O curso dura cinco meses e meio, com aulas aos sábados e durante a semana, e terá dois módulos básicos. Hoje a Unirr tem como parceira a Rádio Madame Satã, da ONG Ex-Cola, em cujo estádio será realizada uma parte das aulas. Informações e inscrições pelos correios eletrônicos unirr@uol.com.br e unirr@unirr.org ou pelo telefone: (21) 2544-8415.

Fonte: Revista do Terceiro Setor

www.rets.org.br

criado por cristinasales    12:11:16 — Arquivado em: Agenda

18/1/07

Experiências em Inovação Social

Dois projetos de Comunicação entre os finalistas da CEPAL

Levando-se em conta que, infelizmente, a Comunicação ainda vem sendo mais utilizada pelas ONGs para a construção de imagem institucional que para a emancipação de seus beneficiários, já é uma ótima notícia que a  edição 2006 do Concurso "Experiências em Inovação Social ", promovido pela Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (CEPAL), tenha contado com dois projetos de comunicação comunitária – um deles brasileiro - entre seus 16 finalistas.

Classificado em sétimo lugar, o projeto “Ampliação e aprofundamento da rede de Comunicação Indígena” vem sendo desenvolvido por uma rede de ONGs e comunidades indígenas que busca fortalecer a identidade e a integração entre as comunidades de Salta, Jujuy, Formosa, El Chaco y Santa Fe, na República Argentina.

Com o apoio das organizações não-governamentais, se leva a cabo uma estratégia voltada para a criação de canais de comunicação entre as comunidades citadas e segmentos da opinião pública favoráveis a seus interesses.

Alguns índios – principalmente os jovens – foram capacitados para formar equipes técnicas e de produção, passando a atuar como co-responsáveis pela divulgação de notícias das distintas comunidades.

O outro projeto de Comunicação que figura entre os finalistas é o “Rede Jovem de Cidadania”, desenvolvido pela Associação Imagem Comunitária, de Belo Horizonte (Brasil).

Iniciado em novembro de 2002  com a implementação de una rede de meios comunitários criados por jovens provenientes de áreas em situação de risco social, o Rede Jovem opera em duas frentes: a primeira delas trata de sensibilizar, mobilizar e capacitar jovens de diversas regiões de Belo Horizonte para que se convertem em agentes divulgadores de informação relacionada com iniciativas que promovem a cidadania.

A segunda frente de atuação visa fomentar o surgimento de redes de comunicação em escolas públicas, criando espaços de experimentação e produção midiática e contribuindo para consolidar o sentimento de cidadania entre os estudantes.

Em tempo: o concurso "Experiências en Inovação Social" é realizado pela CEPAL desde 2004 e conta com o apoio da Fundação W.K. Kellogg. Seus principais objetivos são: identificar, analisar, reconhecer e promover a replicação criativa de iniciativas sociais inovadoras no marco da participação ativa da comunidade, de maneira a fortalecer a cidadania e a democracia.

Mais informações: http://www.comminit.com/la/drum_beat.html

criado por cristinasales    17:49:58 — Arquivado em: Festivais e Prêmios

16/1/07

Concurso de documentários: as caras da exclusão

Com o objetivo de fomentar o uso das tecnologias audiovisuais como instrumentos de investigação social, o Banco Interamericano de Desenvolvimento está promovendo o concurso de microdocumentários “As Caras da Exclusão”.

As inscrições ficam abertas até o dia 28 de fevereiro e o prazo final para a  entrega dos vídeos é 15 de maio de 2007. Os participantes devem apresentar trabalhos individuais, com duração de 2 a 5 minutos, inseridos em uma das sete categorias do concurso:

1- Falta de acesso a serviços básicos;

2- Falta de acesso a instituições;

3- Falta de documentos de identificação;

4- Exclusão no mercado de trabalho;

5- Programas e políticas de inclusão social;

6- Sistemas alternativos de representação social e política;

7- Substitutos da ordem social estabelecida.

O vencedor de cada categoria receberá um prêmio no valor de US$ 1.500. Mais detalhes sobre as regras e especificações mínimas para apresentação do material estão disponíveis na página do BID:

http://www.iadb.org/res/ipes/2008/home.cfm?language=Po&parid=1

criado por cristinasales    10:27:32 — Arquivado em: Agenda

13/1/07

Na ciranda da Educomunicação

O site Mídia & Educação foi criado pela Ciranda – Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência (Paraná) para a divulgar iniciativas relacionadas à Educomunicação. Nele, o internauta encontrará dicas sobre como utilizar as ferramentas de comunicação em sala de aula, exemplos de projetos que estão sendo desenvolvidos, notícias, artigos, etc.

O objetivo é mostrar como a inter-relação entre a comunicação e a educação permite desenvolver e aprimorar metodologias de uso das tecnologias da informação e da comunicação nos processos educativos, além de estimular crianças, adolescentes e educadores utilizarem a mídia como instrumento de mobilização e crítica social.

http://www.midiaeducacao.org.br

criado por cristinasales    15:01:14 — Arquivado em: Cidadania Ativa, Educomunicação, Sites e Blogs

11/1/07

Imagens da Paz: fortalecendo a Cidadania

Na periferia de Fortaleza, o projeto Imagens da Paz, que formou mais de 60 jovens na área do audiovisual foi o ponta-pé inicial para que a organização não governamental Fábrica de Imagens se tornasse uma das referências da cidade quando o assunto é imagem e ação. Tendo como eixos, a questão do gênero e da cidadania, o suporte audiovisual serviu para ilustrar vários temas do cotidiano de centenas de estudantes.

Com o projeto Imagens da Paz, que contou com o financiamento do programa Petrobrás Fome Zero, mais de 30 vídeos foram produzidos pelos estudantes, que receberam aulas técnicas de fotografia, roteiro, direção, câmera, edição, montagem e produção, além de oficinas sobre história da arte, do cinema e sobre cinema brasileiro. Tudo isso aliado ao programa já desenvolvido pela ong que contemplava oficinas nas áreas de cidadania, relações de gênero, violência, relações humanas, entre outras.

"A Fábrica (de Imagens) demonstrou uma confiança nos alunos do projeto Imagens da Paz que acho que nenhuma outra instituição teria. Isso deixa os alunos à vontade para desenvolver o trabalho", ressalta em depoimento ao informativo do projeto, o aluno Luis Carlos, de 19 anos.

O interessante é que com o projeto, a organização decidiu implantar um Núcleo de Realização em Audiovisual que contou, inclusive, com a participação de alguns dos alunos já na área profissional, uma vez que o projeto também serviu para revelar novos talentos no audiovisual fortalezense.

Alguns trabalhos chegaram a ser exibidos em festivais locais e nacionais, como a mostra "Olhar do Ceará", dentro da programação do Cine Ceará; e no I e II Festival de Jovens Realizadores do Mercosul, que aconteceram respectivamente, em Vitória e em Fortaleza.

Mas o projeto não ficou apenas na formação dos mais de 60 alunos. Todas as produções foram exibidas em escolas da rede pública pelos próprios alunos do Imagens da Paz. Segundo dados da Fábrica, entre 2003 e 2004, cerca de 8.000 estudantes assistiram aos vídeos. E em 2005, outros 7.500 formaram a platéia para o resultado do projeto.

A Fábrica

A organização não governamental Fábrica de Imagens - Ações Educativas em Gênero e Cidadania, surgiu em 1988, no bairro da Maraponga, em Fortaleza. Tem como missão a promoção da cidadania e igualdade entre os gêneros, utilizando como estratégias para isso a capacitação para o trabalho e renda, capacitação de lideranças e o investimento em arte, cultura, tecnologia e desenvolvimento humano.

Desde 2002, o audiovisual é o principal instrumento da entidade para atingir as metas citadas acima.

Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=26041 

criado por cristinasales    19:32:51 — Arquivado em: Cidadania Ativa, Projetos em Foco

6/1/07

Pacifismo na comunicação é tema de livro

No livro Comunicação não-violenta, lançado pela editora Ágora, o psicólogo americano Marshall Rosenberg busca ensinar o leitor a transformar padrões de pensamento que conduzem a discussões, raiva e depressão, criando relacionamentos interpessoais baseados em respeito mútuo, compaixão e cooperação.

O modelo da Comunicação Não-Violenta (CNV) foi desenvolvido por Marshall e aplicado em programas da paz em Ruanda, Burundi, Nigéria, Malásia, Indonésia, Sri Lanka, Oriente Médio, Sérvia, Croácia e Irlanda. Visa que os povos se comuniquem de maneira eficaz, enfatizando a importância de evitar o uso de uma linguagem classificatória ou que rotule e enquadre os interlocutores.

criado por cristinasales    13:29:50 — Arquivado em: Publicações

1/1/07

Comunicação e cultura de paz

A maneira como nos expressamos revela nossos valores e crenças mais íntimos, até mesmo em detrimento da postura correta que tentamos demonstrar. Podemos observar que, apesar dos discursos freqüentes que ouvimos e fazemos em favor da paz, nosso acervo lingüístico costuma abrigar expressões que evidenciam a “cultura de guerra” instalada confortavelmente em nossas cabeças.

 

São freqüentes, na linguagem coloquial, expressões que demonstram nosso valor (consciente ou inconsciente) por ferir, subjugar e eliminar o outro. Para nos referirmos ao desejado sucesso de um empreendimento, usamos: “matar a pau”, “detonar”, “botar para quebrar”, “arrasar”, etc. Se uma pessoa é muito determinada, diz-se que é “guerreira”. Se algo tem grande aceitação ou afluência de pessoas, é comum ouvirmos dizer que “está bombando”. Isso sem mencionar os palavrões, piadas e brincadeiras de mau gosto, sempre carregados de preconceitos de raça, gênero, opção sexual, etc.

 

Poderíamos listar aqui uma série de exemplos que mostram como a agressividade e a combatividade estão infiltradas em nossos pensamentos, engendrando o que dizemos e fazemos. Porém, o mais importante é percebermos como esta dupla nociva delata nossa adesão aos anti-valores que impedem o desenvolvimento da nossa sociedade.

 

É evidente que palavras agressivas e desagradáveis geralmente ocasionam uma resposta equivalente das outras pessoas, em uma espécie de “efeito espelho” que acaba por voltar-se contra nós. Mesmo assim, temos grande dificuldade em corrigir nossa fala e a forma de pensar que a origina.

 

Uma campanha publicitária lançada por diversas organizações da sociedade civil reunidas no grupo Diálogos Contra o Racismo pergunta: “Onde você guarda seu racismo?”. Baseia-se no fato de que o racismo, apesar de tão fortemente negado no Brasil, se faz presente não só em agressões explícitas, mas também em atitudes sutis como comentários, piadas, insinuações, etc. Tomando o exemplo da campanha citada, deveríamos perguntar-nos onde guardamos nossa agressividade, nosso valor pela competição, nosso apego à guerra.

 

Um artigo sobre comunicação não poderia deixar de citar a importância da mídia na difusão de uma linguagem pacífica. Infelizmente, com raras e louváveis exceções, o que vemos é a exaltação da violência. Porém, a comunicação é feita por pessoas e se elas não estão comprometidas com a paz em suas próprias vidas, os veículos de comunicação – que seguem as leis do mercado e abastecem os consumidores com o tipo de informação que lhes apraz – obviamente não serão os artífices da mudança. Como sempre, a transformação tem que começar no plano individual, porque é de consciência em consciência que se muda o todo.

 

Cristina Sales é mestre em Bens Culturais e Projetos Sociais; pós-graduada em Marketing e em Administração de Organizações do Terceiro Setor. Atua como consultora e é autora de histórias infantis que ressaltam os valores humanos.

criado por cristinasales    14:07:08 — Arquivado em: Artigos
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