Comunicação & Cidadania

Um espaço para discutir o papel da Comunicação no desenvolvimento social e na consolidação da democracia. Edição: Cristina Sales. TWITTER: Cris__Sales / ORKUT: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=33798239

18/2/07

Agência de notícias mobiliza sertão da Bahia

Jovens usam rádios comunitárias como ferramentas de mobilização social no sertão                                                                                                     

A Agência Mandacaru de Comunicação e Cultura é gerida por jovens entre 20 a 24 anos e se tornou um ponto de cultura do Ministério da Cultura. A Agência é resultado de um projeto desenvolvido em parceria pela ONG Movimento de Organização Comunitária (MOC) e pelo Instituto Credicard para capacitar jovens da região sisaleira da Bahia em técnicas de rádio e jornalismo para produção de notícias relacionadas à promoção do desenvolvimento territorial sustentável no semi-árido. Sediada em Retirolândia, a 240 quilômetros de Salvador, a Agência Mandacaru atua em 33 municípios das regiões do Sisal e do Vale do Jacuípe. João Netto, presidente da Agência Mandacaru, nos conta nessa entrevista como a ONG surgiu, sua proposta, o trabalho que desenvolve e os desafios a que se propõe visando contribuir para tornar o sertão sustentável.

Mobilizadores COEP - Como surgiu a Agência Mandacaru de Comunicação e Cultura?

R. - No final de 2001, inicio de 2002, o Movimento de Organização Comunitária (MOC) firmou uma parceria com o Instituto Credicard para o desenvolvimento de um projeto no "Programa Jovens Escolhas" (PJE), do Instituto. A partir daí, foi elaborado o projeto "Comunicação Juvenil", que visava capacitar jovens entre 15 e 20 anos em técnicas de rádio e jornalismo. O projeto foi escrito pelos próprios jovens oriundos de nove municípios (Santa Bárbara, Conceição do Coité, Araci, Retirolândia, Santa Luz, Valente, Nordestina, Queimadas e Riachão do Jacuípe) e buscava preencher a lacuna que havia nas entidades da região e nas rádios comunitárias que atuavam em parceria com o movimento social. Até que, em 07 de julho de 2005, após três anos de formação e qualificação em várias temáticas (gênero, etnia, políticas públicas, desenvolvimento sustentável, convivência com a seca, cultura popular), além de técnicas em habilitação de rádio e jornalismo, surgiu a Agência Mandacaru. Hoje, a Agência, que está sediada em Retirolândia – a 240 km de Salvador–, atua em 33 municípios das regiões do Sisal e Vale do Jacuípe, e é gerida por jovens da faixa etária de 20 a 24 anos. Somos um ponto de cultura do Ministério da Cultura (MinC) e estaremos lançando, em maio, uma coletânea sobre as várias manifestações culturais da região sisaleira.

Mobilizadores COEP – O que é o MOC e qual seu objetivo?                      

R. - Bem, o MOC é uma ONG situada na cidade de Feira de Santana (BA), e que este ano completa 40 anos. Ela atua em vários níveis políticos, desde a formação para construção de cisternas, formação e qualificação da imprensa, formação em gênero, juventude e políticas públicas, além de ser um forte instrumento político que auxilia o movimento social da região sisaleira da Bahia e uma referência na área de educação, com duas experiências que servem de base para política pública.

Mobilizadores COEP – Como é a realidade da região sisaleira da Bahia?

R. - A região sisaleira é uma área geográfica muita castigada não só pelo clima árido e temperado, mas principalmente pelos conflitos de interesse político que nela se fazem presentes. A área, no entanto, apresenta grande potencial de desenvolvimento. Acreditar que podemos conceber desenvolvimento é um dos nortes de nossa luta em busca de uma comunicação justa e democrática. A aposta de que podemos ter uma região livre das pequenas oligarquias vem se tornando realidade a cada dia; aos poucos vamos ocupando espaços antes jamais ocupados e dando conta do recado. Acredito que ter um sertão sustentável significa fazer com que as pessoas sejam incluídas em processos de formação, qualificação e que tenham acima de tudo dignidade de poder expressar, seja de qual for forma for, sua liberdade.

Mobilizadores COEP - De que forma os meios de comunicação podem contribuir para o fortalecimento da identidade do trabalhador rural da região sisaleira da Bahia?                                                                                 

R. - A única forma que encontramos de diálogo com o trabalhador rural tem sido através das rádios comunitárias e dos movimentos que lutam a favor dos direitos do trabalhador rural. De grande valor tem sido uma campanha chamada "Nossa agricultura é familiar", que encabeçamos junto com o MOC para que, a longo prazo, a região desperte para importância dos pequenos agricultores familiares e suas produções. A idéia é sensibilizarmos os próprios agricultores sobre suas potencialidades e para a importância da comercialização dos produtos e da disputa de mercado. Uma última pesquisa realizada na Bahia identificou que em cada 10 pessoas, oito ouvem rádio, e o trabalhador rural, em sua maioria, faz parte deste público ouvinte. A rádio comunitária tem uma grande facilidade de atingir o agricultor, porque a maioria dessas rádios é apoiada pelos movimentos sociais e dentre eles estão os sindicatos rurais, daí o poder mobilizador que as rádios comunitárias têm com esse público prioritário.

Mobilizadores COEP - Que mudanças no comportamento dos trabalhadores rurais já foram visualizadas a partir do trabalho com as rádios comunitárias?                                                                                           

R. - A campanha "Nossa Agricultura é Familiar" já é um claro exemplo disso. Trata-se de um processo gradativo. Aos poucos as pessoas vão entendendo que é importante valorizar o que é seu. Através das rádios comunitárias (Radcom), os trabalhadores rurais têm acesso a informações sobre comercialização, produção e sobre os benefícios que os produtos têm em suas vidas. Em uma última pesquisa realizada com agricultores, entre outubro e dezembro do ano passado em oito municípios, 84% dos entrevistados diziam consumir apenas produtos oriundos dos pequenos produtores e dentre os maiores medos estava o consumo de produtos com agrotóxicos. Daí a importância das rádios comunitárias e de seu poder mobilizador.

OBS: Devido a limitações do Blog Terra, não foi possível publicar a íntegra da entrevista. Leia a parte final em: http://www.mobilizadores.org.br/coep/usuario/publicacaoLer.aspx?cd=3305

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17/2/07

Rede ANDI lança projeto

Elo Fundamental

Lançado no último dia 31 de janeiro, em Feira de Santana (BA), o projeto Comunicação para o Desenvolvimento, da Rede Andi Brasil, tem como foco as questões ligadas à promoção dos direitos das crianças e adolescentes que habitam o semi-árido brasileiro. O objetivo é pautar a região na mídia nacional e mudar a visão que o resto do país tem sobre a área.

O semi-árido abriga cerca de 11 milhões de crianças e adolescentes, em 11 estados, sendo nove deles no Nordeste brasileiro, segundo informações da própria Andi. A região apresenta os piores indicadores sócio-econômicos em relação à media nacional. Ou seja, os níveis de privação do semi-árido estão entre os mais acentuados do Brasil.

Para mudar esse quadro, a Rede Andi Brasil aposta na comunicação como uma ferramenta essencial para levar à opinião pública essa realidade e influir na criação de políticas públicas, além de cobrar o seu cumprimento. Segundo a secretária executiva da Rede, Ciça Lessa, pretende-se “tirar o semi-árido do semi-desconhecimento”.

Atualmente, muitas entidades já trabalham para o desenvolvimento da região. Ciça explica que a função do projeto é “trazer para esse complexo de projetos e movimentos que existem no semi-árido maior visibilidade e compreensão de como a chegar à mídia”. Ela também deixa claro que não é um trabalho de relações públicas para essas iniciativas, pois mantém uma independência. A intenção é somar ao que já está sendo feito.

“É um trabalho de mobilização em relação à temática. É como se fizéssemos um trabalho para a causa da criança e do adolescente. É uma diferença de postura, pois não estamos ligados a ninguém”, define a secretária executiva da Rede. Outro princípio do projeto é dar visibilidade a bons exemplos, fortalecendo as iniciativas para o desenvolvimento do semi-árido. Ela lembra que tecnologias criativas podem contribuir para a melhor convivência na região, a exemplo do que fazem as cisternas que recolhem a água da chuva. Ciça considera a mídia um elo fundamental para lançar luz sobre esse tipo de iniciativa.

O projeto trabalhará cinco eixos principais. O primeiro é a qualificação e mobilização de jornalistas nas questões relativas ao semi-árido e ao seu desenvolvimento. O segundo, trabalhar com organizações sociais da região e as capacitar na área de comunicação para terem um melhor relacionamento com a mídia. Pretende-se também atuar junto aos cursos de jornalismo para dar uma formação que garanta uma visão do terceiro setor e social. O quarto eixo é levar grupos de jornalistas para conhecer os projetos desenvolvidos. E, por fim, produzir uma publicação reunindo todas as informações colhidas durante o projeto.

Com duração prevista de 12 meses, o projeto pretende, ao final, contribuir para a melhoria das condições de vida das 11 milhões de crianças e adolescentes que vivem no semi-árido, valendo-se da comunicação para colocar o tema na agenda não só da mídia, como dos governos e da sociedade brasileira.

Para o futuro, Ciça conta que haverá o monitoramento do que saiu na mídia a respeito do semi-árido a fim de medir o impacto da ação. “Queremos ajudar a construir na mídia uma nova visão do semi-árido e as suas possibilidades. Mostrar tecnologias que possibilitam essa vida com dignidade e sustentabilidade. Isso é importante para melhor defendermos as melhorias necessárias e incentivar políticas públicas”, revela.

Mariana Hansen

Fonte: Revista do Terceiro Setor

www.rets.org.br

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8/2/07

Vagas na Escola de Comunicação Crítica

Inscrições abertas

                                     Foto: Sandra Regina / Imagens do Povo

A Escola Popular de Comunicação Crítica (Espocc), do Observatório de Favelas, está com as inscrições abertas até o dia 21 de março.  A Espocc oferece cursos de formação em Fotografia, Jornalismo Popular e Audiovisual, com duração de um ano. Os alunos o recebem certificado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A proposta da Espocc é elaborar programas alternativos de comunicação e articular uma rede popular de comunicação no Rio de Janeiro. Para este ano foram selecionadas 11 comunidades populares: Andaraí, Caju, Cidade de Deus, Complexo do Alemão, Mangueira, Maré, Parada de Lucas, Serrinha, Tubiacanga, Vidigal e Vigário Geral. Como participar Para participar, além de ser morador de uma das comunidades selecionadas, é preciso ter 18 anos ou mais, ter o ensino médio completo ou em ano de conclusão e ter horário disponível para as aulas, que acontecem de segunda a sexta-feira no período da noite e aos sábados com aulas práticas durante o primeiro módulo, e na parte da manhã para os alunos que decidirem por fotografia, a partir do segundo módulo. Os interessados devem apresentar comprovante de residência e de escolaridade e uma cópia da identidade à sede do Observatório de Favelas (Rua Teixeira Ribeiro, 535, Maré, próximo à passarela 9 da Avenida Brasil – sentido Zona Oeste). Em parceria com AfroReaggae, CUDA e Nós do Morro, os alunos das localidades de Parada de Lucas e Vigário Geral serão indicados pelo AfroReggae; moradores do Vidigal pelo Nós do Morro; moradores de Cidade de Deus e Madureira pela CUFA. Parcerias Os parceiros dessa iniciativa do Observatório de Favelas são: Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Associação Brasileira de Produtores Independentes (ABPITV), Canal Futura, Central ùnica das Favelas (CUFA), Grupo Cultural AfroReggae, Nós do Morro, Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF).

Mais informações:

Observatório de Favelas Rua Teixeira Ribeiro, 535 - Maré - Próximo à Passarela 9 da Avenida Brasil imprensa@observatoriodefavelas.org.br                                                      Tels.: (21) 3104 4057 ou 3888 3220 (falar com Viviane, Michelle ou Francisco)

Fonte: http://www.observatoriodefavelas.org.br/observatorio/noticias/noticias/4425.asp

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7/2/07

Cinema e favelas

Festival de Audiovisual Visões Periféricas

                                                                                                                                                                                                    Foto: Francisco Valdean / Imagens do Povo

Mostrar o olhar das favelas e periferias no cinema nacional é a proposta do Festival Audiovisual Visões Periféricas, que acontecerá entre os dias 10 e 15 de abril de 2007, na cidade do Rio de Janeiro. Proposto pelo Observatório de Favelas, os interessados em participar devem enviar seus vídeos até dia dois de março de 2007, para a sede do Observatório de Favelas (endereço para correspondência abaixo).

O Festival vai contar com uma mostra competitiva de filmes e vídeos realizados em associações culturais, movimentos sociais, projetos e oficinas que utilizam o audiovisual como meio de inclusão social. Paralelo a essa mostra terá também uma programação de filmes fora da mostra competitiva, além de diversos debates, encontros e atividades culturais relativos à temática do Festival.

Procurando estimular a criação de novos espaços de exibição e discussão desses vídeos e dar visibilidade iniciativas sociais da sociedade civil no campo do audiovisual, o Festival Visões Periféricas entende periferia como um espaço plural, incluindo além dos espaços populares e favelas, assentamentos rurais, comunidades quilombolas e aldeias indígenas.

Inscrições até 2 de março de 2007.                                                            Endereço para contato, correspondência e envio de material: Observatório de Favelas do Rio de Janeiro

FESTIVAL AUDIOVISUAL VISÕES PERIFÉRICAS                                       Rua Teixeira Ribeiro, 535, Maré – próximo à passarela 9 da Avenida Brasil. CEP: 21044-251 Tel/fax: 55 (21) 3888 3220 / 3104 4057 visoes@observatoriodefavelas.org.br

Para saber mais: http://www.observatoriodefavelas.org.br/observatorio/noticias/noticias/4424.asp

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2/2/07

Uma Rádio em Feminino Plural

Uma rádio comunitária de Madri e uma ONG argentina se unem para produzir e difundir programas livres de rádio sobre a situação da mulher. Sua intenção é fomentar a participação de mulheres de toda a América Latina.

Olga Berrios - Redação do Canal Solidário (26/01/2007)

Há dois anos, uma psicóloga argentina que estudava em Madri estagiou no programa “Nosotras en el mundo” da Radio Vallekas. “A relação foi muito boa – explica Lucía Ruiz Oliveras, responsável pela Área da mulher desta rádio comunitária – tanto que acabamos nos sentando juntas para sonhar com a possibilidade de seguir trabalhando mesmo quando ela regressasse a seu país.”

O projeto que surgiu desta reunião se chama Red Nosotras en el Mundo, foi aprovado e financiado pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional e já é uma realidade.

A rede é um espaço para todas as organizações de mulheres que tecem redes em seu compromisso com a luta pela igualdade de direitos civis, sociais e políticos, de ambos os lados do Atlântico.

A iniciativa foi lançada a través da Área da Mulher, da Rádio Vallekas de Madri, e do Centro de Intercambio e Servicio Cono Sur Argentina (CISCSA), na província argentina de Córdoba.

O objetivo é dar visibilidade à presença das mulheres e, literalmente, dar-lhes voz através da produção de programas radiofônicos que estão disponíveis em sua página web e podem ser utilizados livremente por qualquer pessoa ou organização comprometida com a igualdade de direitos entre homens e mulheres. O único requisito é citar a fonte…

Unidas e diferentes

Segundo Ruis Oliveras, o projeto “tem o espírito de fazer-nos sentir unidas como mulheres em qualquer realidade e país”. Assim, as organizadoras já estão em contato com entidades de mulheres da Bolívia, Peru, Chile, Colômbia e, é claro, Argentina. O perfil das participantes é “amplíssimo”, abarcando desde mulheres indígenas, donas de casa, universitárias, ativistas e profissionais.

O projeto inclui a realização de duas oficinas na Argentina sobre gênero, comunicação e novas tecnologias. As participantes destacam o interessante intercambio cultural que se vem produzindo: “é muito bom ver como se aglutinam ali e as diferenças no trabalho. As preocupações são muito diferentes e também a linguagem. São mais criativas, saem mais às ruas e se movem muito mais.”

Por outro lado, encontram-se com situações como a do direito ao aborto, que é uma luta que se está reivindicando na Espanha há muitos anos, enquanto que na América Latina ainda é um desafio pendente.

Outra Comunicação

“As mulheres têm sido as grandes tecelãs de redes de comunicação, desde o âmbito familiar até os sociais, políticos e econômicos”, comenta a colaboradora de um dos programas difundidos.

Como comunicadoras, elas crêem “na busca de outras fontes, que te contam as coisas a partir da primeira pessoa”, quer dizer, eliminar os “intermediários” da comunicação como os “políticos da vez”. A intenção é que as mulheres sejam protagonistas, que “sintam que estão construindo seu próprio meio”, valorizem a importância da comunicação e se sintam participantes.

Novos projetos

Os conteúdos dos programas tratam de interculturalismo, imigração, violência, saúde, economia e iniciativas que promovem o desenvolvimento, sempre com enfoque feminino. No momento, os programas estão sendo emitidos por rádios comunitárias e alternativas, embora possam ser utilizados por rádios públicas e privadas, desde que citem a fonte.

Está prevista a organização de jornadas internacionais de intercâmbio de experiências. Além disso, pretendem “dar o salto” para a América Central e lançar um projeto de sensibilização na Espanha, destinado a mulheres jornalistas e comunicadoras. A idéia é convidá-las a participar de um espaço semanal do programa, debater sobre a linguagem sexista e os conteúdos que tratam diariamente, visando envolvê-las na luta das mulheres para que sua voz seja ouvida.

Publicado em: Canal Solidário

http://www.canalsolidario.org.es

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Repensando a TV para Crianças

O público comanda

Por Juliana Simon

“As crianças são o centro”. Esse é o conceito fundamental de uma história de sucesso na programação infanto-juvenil apresentada em workshop promovido pelo MIDIATIVA a profissionais de emissora de TV, no dia 12 de janeiro. Jan-Willen Bult, diretor do Departamento de Criação da área juvenil da cadeia de televisão holandesa KRO Youth, expôs sua experiência e seus trabalhos na Holanda com um público ainda bastante negligenciado pela TV brasileira.

O produtor, diretor e roteirista já recebeu em nome da KRO muitos prêmios e indicações como Prix Jeunesse, Emmy Award, Prix Danube, BANFF Rocky Award, Dutch Kinderkast e Dutch Academy Award. Além de programas de TV e filmes, Jan-Willem também escreve livros infantis. Na KRO desde 1997, desenvolveu um polêmico formato de documentário para crianças em idade pré-escolar, baseado em dar voz a esse público e incentivá-lo a participar na produção desses programas.

Os valores da rede KRO são Educação, Sociedade e Espiritualidade. Para Jan, o desafio foi encontrar uma forma de traduzir esses valores para as crianças. “Observei que hoje a sociedade está focada nos grandes eventos, procurei fazer diferente, focar nas belezas das pequenas coisas, no dia-a-dia da vida. O comum, até então, era ver a criança como um barril vazio, onde deveria ser colocado o conhecimento. Penso diferente. A criança já é cheia de habilidades e conhecimentos. O que é preciso é estimular o seu desenvolvimento, com destaque para a beleza da vida e a autonomia. É uma filosofia diferente da Vila Sésamo”, afirma.

A criança e a televisão

O primeiro passo para desenvolver uma programação infanto-juvenil de qualidade é conhecer sua audiência. Nesse aspecto, apontou erros comuns das programações tais como idealizar o público infanto-juvenil como uniforme, sem levar em conta as diferenças de idade e desenvolvimentos físico e intelectual. Pensando isso, Jan desenvolveu dois slogans: o Kinder (t!jd), que se refere à programação para as crianças até oito anos; e o Tien Plus (10+) – que reúne um significado duplo. 10+ é a maior nota que um aluno pode tirar na escola além de também significar mais de 10 anos. No entanto, a criança de seis anos percebe que o 10+ é para os maiores, mas assiste mesmo assim. Por isso, a programação para os mais velhos também deve considerar esse público mais jovem.

Além do conteúdo, Jan preocupa-se com outros itens como os logos dos programas, os cenários e a música escolhida. No dirigido à pré-escola, não utiliza as cores básicas, como azul e vermelho, e sim o roxo. “Um designer certamente me chamaria de louco”. O logo para esse público é colorido e cheio de formas. Utiliza letras e símbolos ainda não conhecidos das crianças, mas com formas interessantes, no caso - t!jd -, cada uma com uma cor diferente. “As crianças nessa fase não sabem ler, vêem formas e cores”, ensina Jan.

Há três anos, em viagem ao Japão, Jan percebeu que precisaria organizar os conceitos a serem seguidos por uma programação realmente comprometida com o desenvolvimento e entretenimento de seu público. Para isso, estabeleceu valores fundamentais que, mostrados de forma subliminar nos programas, incentivam sua consolidação entre crianças e jovens. Esses são:

- família;

- amizade e cooperação;

- espiritualidade (vida e a morte, como lidar com isso);

- aprendizado/ habilidades; - expressão.

Para isso, aponta como caminhos:

- aprendizado/habilidades, procura mostrar como aprender novas   expressões;

– não importa como você é - importa quem você é;

- há mais beleza interior do que exterior; - procura por caráter – quanto mais caráter, mais audiência;

- induzir a pensar o que vai ser o próximo passo;

- o que importa não é o grupo, mas como está falando e levar a todas as faixas etárias – da pré-escola aos maiores.

Apresentação de vídeos

Jan Willen apresentou no workshop uma série de programas que produziu para a KRO. Latas vazias, Lara passeia com o cachorro, Raica Sushi,, são pequenas histórias que abordam o cotidiano de crianças de diferentes lugares.

Depois dos programas curtos (pequenas histórias sem diálogo), o passo seguinte foi a elaboração de novela ou filme com pré-escolares. Nesse estilo, outro programa produzido por Jan foi Piece Of Cake, que traz sempre duas crianças em idade pré-escolar (5 anos) elaborando alguma receita.

Dentre os programas de ficção, estão Type e Wander mostra uma garota de seis anos que não gosta de ser chamada de menina, é filosófica e tenta participar das brincadeiras de garotos, como o futebol, sendo rechaçada; Assando um bolo baseia-se na autonomia de uma criança que sabe como é fazer um bolo; Gengi mostra a agressividade de um bully em relação a uma menina imigrante com traços orientais e uma menina cega; A primeira criança na Lua mostra o sonho de uma menina em se tornar uma astronauta. Apesar do descrédito se seus colegas de escola e de adultos, tem apoio de seu irmão gêmeo. O filme estimula a coragem e a persistência, além de incentivar as meninas a serem o que quiserem. Para a faixa de 11 a 12 anos, foi feito o Zig Zag, um game show diferente, totalmente entregue às crianças. Em seu oitavo ano no ar, o programa coloca a competição como item secundário e estimula a reflexão e a educação.

Jan apresentou também um reality-show para crianças chamado Energy Survivor. Nele 16 crianças vão para um acampamento na Noruega e a competição é baseada em jogos sobre energia e economia de energia. Outro reality-show é o Backstage, em que 3 patricinhas de 15 anos “trocam de papéis” com rappers descendentes de marroquinos na Holanda.

No fim do workshop, Jan apresentou sua produção mais recente, o filme Don, que conta a história de um garoto que enfrenta barreiras financeiras e étnicas através de suas amizades e do futebol. Os temas abordados, como o bullying, imigração e sexo, podem ser considerados clichês no primeiro momento, porém, como o produtor afirmou “os clichês são ferramentas para a construção de uma linguagem direta”.

Não há nenhum grande segredo na fórmula utilizada por Jan-Willen. Ao colocar seu público como o centro de seus programas, os temas e formatos seguem caminho próprio para divertir, educar e promover uma programação televisiva de qualidade para crianças e jovens.

Publicado originalmente em Midiativa http://www.midiativa.tv/index.php/midiativa/content/view/full/3895

criado por cristinasales    15:24:07 — Arquivado em: Projetos em Foco
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