Comunicação & Cidadania

Um espaço para discutir o papel da Comunicação no desenvolvimento social e na consolidação da democracia. Edição: Cristina Sales. TWITTER: Cris__Sales / ORKUT: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=33798239

8/5/07

Cidadania na hora de consumir

A RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS EMPRESAS DEPENDE DE VOCÊ*

 

Um grande número de brasileiros espera que as empresas se envolvam diretamente na solução de problemas sociais como criminalidade, pobreza e baixo nível educacional. Esta expectativa foi declarada por 88% das pessoas entrevistadas pela pesquisa “Responsabilidade Social das Empresas – Percepção do Consumidor Brasileiro/ 2005”, divulgada  pelos institutos Ethos e Akatu e pela Market Analysis.

 

Apesar disto, sabe-se que muitas empresas limitam sua “responsabilidade” a um discurso bonito ou ao desenvolvimento de projetos sociais totalmente desvinculados de suas estratégias de negócios. Entre os motivos que colaboram para que isto aconteça, está o fato de que um dos mais importantes atores sociais (o cidadão-consumidor) não vem exercendo plenamente o seu papel.

 

Se uma empresa explora funcionários, lança mão de práticas desonestas, polui o meio-ambiente, veicula propaganda enganosa e, ainda assim, obtém lucros, é um sinal de que as pessoas utilizam seus produtos ou serviços sem dar importância ao impacto negativo gerado. Note-se que, na pesquisa citada, apenas 15% dos entrevistados declararam já ter punido uma empresa por não concordar com suas práticas.

 

Embora o objetivo primordial de um empreendimento comercial seja lucrar, não podemos admitir que esta lucratividade se sustente na geração de altos custos para a sociedade, ocasionando prejuízos para o meio ambiente, o desenvolvimento social e até para os valores morais. Portanto, ao optar por um produto ou serviço, o cidadão deve lembrar que tem nas mãos a possibilidade de punir as empresas que não atuam corretamente.

 

Ao contrário do que se vem apregoando, não existem empresas-cidadãs: cidadania é uma prerrogativa dos indivíduos. Por isso, uma atuação individual responsável é fundamental para garantir a chamada responsabilidade social corporativa. Se os dirigentes e funcionários das empresas não atuam de forma ética e se os demais cidadãos não assumem o papel disciplinador, tal responsabilidade permanece no plano da retórica.

 

O ato de consumir, se realizado de forma consciente, pode transformar-se em ato político no sentido amplo, ou seja, de ação em favor do bem comum. Assim, o consumidor que se nega a interagir com empresas oportunistas ajuda a melhorar a sociedade em que vive.

 

Aqui, entra em cena um fator de extrema importância: a informação. Para que se possa escolher apropriadamente, é preciso saber o máximo possível sobre a empresa: se ela enfrenta processos na justiça ou em órgãos como o CONAR (conselho que controla abusos na propaganda); se está envolvida em escândalos ou é alvo dos protestos de funcionários, ONGs etc.

 

Da mesma forma que é imprescindível fiscalizar os políticos que elegemos, temos que conhecer o que ocorre no mundo corporativo e tentar interferir neste ambiente protestando, boicotando ou agindo juridicamente, quando couber.

 

As empresas são as grandes potências dos dias de hoje, movimentando mais recursos que muitos países. Mas cidadãos ativos são capazes de provocar transformações. E se queremos uma sociedade mais justa, precisamos assumir a nossa parte neste desafio. Como diz a frase atribuída a Gandhi: “seja a mudança que você quer ver no mundo”.

 

Cristina Sales é mestre em Bens Culturais e Projetos Sociais, pós-graduada em Marketing e em Administração de Organizações do Terceiro Setor.

 

*Este artigo foi publicado originalmente na Revista OCAS número 50.

www.ocas.org.br  

criado por cristinasales    09:32:42 — Arquivado em: Artigos

3/5/07

Avaaz usa a internet para mobilizar

VOZ GLOBAL

 

Em poucos meses de existência, a ONG internacional de ciberativismo Avaaz já conquistou quase um milhão de membros. Campanhas pelo fim dos conflitos no Oriente Médio, pelo fechamento da prisão de Guantánamo e pela implantação de medidas contra o aquecimento global são só algumas das muitas mobilizações que a organização está promovendo desde o início do ano.

 

Avaaz, palavra que significa voz ou canção em várias línguas asiáticas, foi o nome escolhido pelas duas organizações de ativismo online responsáveis pela iniciativa – a MoveOn, dos Estados Unidos, e a Res Publica, um grupo global de advocacy da sociedade civil. A idéia foi criar uma rede internacional que atuasse sobre temas globais. Atualmente, a Avaaz reúne integrantes de cerca de 180 países e seu site tem tradução para 12 línguas. Com uma equipe pequena, a organização busca inovar através do uso criativo da tecnologia.

 

Os coordenadores de campanha da Avaaz ficam espalhados por todo o mundo, em países como Inglaterra, EUA, Austrália e Brasil, e pesquisam temas para as mobilizações. A prioridade para um determinado tema é dada de acordo com sua urgência, com seu potencial de impacto e com o grau de interesse dos membros da Avaaz. O contato com os membros é feito através de e-mails e mensagens de texto contendo alertas sobre novas campanhas e oportunidades de mobilização virtual e física.

 

Segundo Graziela Tanaka, representante brasileira da organização, a idéia é criar uma nova campanha a cada dez dias. “Queremos ser bem dinâmicos. Enquanto a pessoa lê uma determinada notícia no jornal, já estamos realizando uma campanha que trate do tema”, conta, explicando que cada mobilização precisa encontrar um momento político importante para que suas propostas ganhem visibilidade.

 

Foi o caso da petição entregue pessoalmente por um representante da Avaaz aos ministros do meio ambiente do G8 [grupo formado pelos oito países mais ricos do mundo]. Durante reunião na Alemanha, a organização apresentou documento com 100 mil assinaturas pedindo prioridade no tratamento das mudanças climáticas. “Procuramos mostrar nossos resultados de maneira criativa, para chamar a atenção, por isso a entrega pessoal dessa petição foi interessante. O próprio ministro alemão reconheceu o valor da petição, que acrescentou ao debate e mostrou a preocupação da sociedade com o tema. Esse tipo de documento serve para validar ações de determinados políticos, pois mostra que eles têm apoio da opinião pública”, diz, entusiasmada.

 

Um outro caso que mostra a importância da opinião pública como um ator político é o fechamento do presídio de Guantánamo. “Existem pessoas do governo americano que querem o fechamento da prisão, mas acabam não encontrando respaldo”. O plano é recolher assinaturas de todo o mundo pelo fim de Guantánamo e apresentar a petição nos principais jornais norte-americanos. Segundo a organização, os assessores do presidente dos Estados Unidos, George Bush, estão divididos quanto ao tema e o próprio secretário de Defesa norte-americano propõe publicamente o fechamento. Nesse sentido, Graziela acha fundamental que a voz da população se faça ouvir também, pois uma mobilização global pode influenciar essa decisão.

 

Uma das mobilizações mais recentes pede a retirada das tropas militares norte-americanas do Iraque. A petição será entregue aos líderes de Estados Unidos, Iraque, Síria e Irã durante encontro que será realizado nos dias 3 e 4 de maio. “Vamos recolher mensagens de SMS [mensagens de texto enviadas para telefones celulares] dentro do Iraque e projetá-las em Washington (EUA), durante a reunião entre esses líderes”. A campanha pede que os EUA respeitem o desejo de 78% dos iraquianos e removam permanentemente sua presença militar no Iraque.

 

Nesse pouco tempo de atuação, Graziela destaca que um dos maiores resultados da Avaaz foi o número de integrantes que conquistou. “Temos quase um milhão de pessoas, sendo 6 mil de língua portuguesa. Isso mostra que existe uma identidade global, pessoas que compartilham valores. E elas podem ser uma voz política poderosa, exercendo um peso importante nas decisões mundiais”, acredita.

 

Texto: Joana Moscatelli

Fonte: RITS - www.rits.org.br

criado por cristinasales    14:11:50 — Arquivado em: Projetos em Foco
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