Comunicação & Cidadania

Um espaço para discutir o papel da Comunicação no desenvolvimento social e na consolidação da democracia. Edição: Cristina Sales. TWITTER: Cris__Sales / ORKUT: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=33798239

16/1/08

Planejamento de Comunicação

Comunicação participativa: um desafio para as ONGs

Vivemos tempos em que a espetacularização da política e da cidadania faz com que elas sejam cada vez mais “exercidas” na mídia que na vida. Apesar disto – ou devido a isto – podemos dizer que, de uma forma geral, ONGs e movimentos sociais ainda não desenvolveram um clara compreensão do papel da comunicação na luta por uma sociedade mais democrática.

Embora o acesso aos meios de comunicação deva ser incansavelmente defendido pela sociedade civil organizada, este não é o único aspecto que queremos abordar aqui. Falamos principalmente da comunicação como processo amplo e de como este se desenvolve nas organizações não-governamentais.

Basta uma rápida olhada nas campanhas veiculadas por ONGs e na forma como se apresentam na mídia para percebermos que a comunicação nestas organizações vem obedecendo cada vez mais aos padrões do mercado. A palavra é geralmente monopólio dos dirigentes. Quando isso não ocorre, é dada a celebridades. Poucas vezes ouvimos a voz dos beneficiários. Assim, os valores apregoados pelas organizações são contrariados pelo que ouvimos e vemos.

Mas esta é a apenas a ponta do iceberg. A base de tudo é a falta de uma política consistente na área de comunicação. E isso só se consegue com planejamento, mas, diga-se de passagem, não pode ser um planejamento qualquer, feito a partir dos padrões de eficiência do mercado. Há que se fazer um planejamento condizente com a proposta democrática que se afirma existir: um planejamento que acomode as diferentes visões, inclusive a dos beneficiários.

Realizar um planejamento de comunicação de forma participativa não é tarefa fácil, mas o desafio maior não é o domínio da técnica, é a capacidade de abrir espaço real para visões conflitantes e até mesmo totalmente contraditórias. É fazer com que os diferentes públicos da organização se engajem em um processo de construção coletiva que lhes permita abrir mão de alguns de seus interesses específicos, em benefício do conjunto. É aí que se pode ver a beleza da comunicação, não como mera tecnologia de gestão, mas como processo de aprendizado democrático.

O profissional de comunicação que atuar como facilitador deste processo deverá estar comprometido com algo mais importante que a visibilidade na mídia de massa ou a elaboração de material publicitário atraente. Suas grandes preocupações devem ser a busca da síntese das propostas; a coerência entre o que a organização diz e faz; o respeito aos beneficiários e à sociedade e a criação de alternativas que possam driblar a hegemonia dos meios comerciais de comunicação, criando novas possibilidades para a difusão de temas relevantes.

Mas não basta a determinação deste profissional: é necessário que a direção da organização se comprometa com os resultados do processo participativo, evitando a tentação de invalidá-los quando contrariarem sua visão gerencial. Neste caso, é preciso que os dirigentes entendam o que levou àqueles resultados e, se necessário, abram mão do particular em benefício do coletivo, realizando dentro da organização aquilo que afirmam desejar para o país: a democracia.

Como afirmou o pesquisador Javier Erro Sala ao analisar a comunicação das organizações espanholas de desenvolvimento que se queixavam de serem ignoradas pelos meios de comunicação, a questão a ser enfrentada é muito mais “de medos que de meios”. Medo de mudar a maneira de encarar a comunicação e partir para a criação de novas alternativas, dentro e fora das organizações. Alternativas estas muito mais complexas – é verdade – porém, muito mais capazes de colaborar para a transformação social.

Cristina Sales é Mestre em Bens Culturais e Projetos Sociais, publicitária, pós-graduada em Marketing e em Gestão Social. Atua como consultora de comunicação em causas sociais.
criado por cristinasales    15:51:27 — Arquivado em: Artigos, Gestão da Comunicação

15/1/08

Mídia e Sociedade

Lições sabidas e nem sempre lembradas

Por Venício A. de Lima em 15/1/2008

A pequena igreja de Nossa Senhora das Necessidades, erguida por volta de 1750, é uma das atrações turísticas de Santo Antônio de Lisboa, núcleo açoriano colonial que fica a cerca de 20 quilômetros do centro de Florianópolis. O que o visitante talvez não saiba é que ali, no salão paroquial, integrantes da pequena comunidade local de pescadores se reúnem para discutir a mídia e quem comparece ainda doa 1 quilo de alimento para a ação social da igreja. No sábado (26/1), haverá a exibição do filme Tropa de Elite seguida de debate com a presença do comandante do 4º Batalhão da PM, de um tenente do BOPE de Santa Catarina, do padre e do promotor de Justiça da Infância e da Juventude.

Este é apenas mais um exemplo que ilustra o que já não é mais novidade: a formidável capilaridade social do debate sobre a mídia (e a violência…) no Brasil.

Tenho fundado receio de que o observador sistemático da grande mídia – sobretudo impressa – corre o sério risco de desconectar-se, ele próprio, do Brasil real.

Temática local

Acabo de percorrer um pouco mais de 5.000 quilômetros atravessando transversalmente, além do Distrito Federal, os estados de Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, por caminhos diferentes na ida e na volta.

A primeira surpresa é sobre a condição das estradas, federais e estaduais, "pedagiadas" ou não. Repletas de carros – resultado do espantoso crescimento da indústria automobilística – elas não são mais o conjunto de buracos que a grande mídia insiste em dizer que são. A exceção de um trecho da BR-050, entre Cristalina e a divisa de Goiás com Minas Gerais, e outro pequeno da BR-282, perto de Florianópolis, no geral o estado das pistas é bom. O que muitas vezes ocorre é que as estradas são ruins ou difíceis porque foram mal projetadas ou as condições geográficas tornam inescapáveis as montanhas e as curvas.

Outra constatação – que não é novidade para ninguém – é o reduzido alcance da grande mídia impressa de referência nacional, tanto dos jornais como das revistas. No melhor hotel de cidades importantes do interior do Rio Grande do Sul, Paraná ou Santa Catarina, não se encontram os diários do Rio e de São Paulo que muitas vezes teimamos em acreditar que são lidos no país todo. Imagine, então, o alcance de alguns colunistas dos jornalões da grande mídia que se consideram formadores da opinião pública nacional. O que importa quem são eles e o que pensam?

Por outro lado, lá está absoluta a telinha da TV. É difícil escapar dela, nos hotéis, nas casas, nos restaurantes e bares das estradas e das cidades. A novidade é que os aparelhos já não estão sintonizados em apenas um canal, como até há pouco tempo. Não é mais surpresa ver a Rede Record – que se torna presente como os templos da Igreja Universal do Reino de Deus, isto é, espalhados por todo o país.

Nada é mais importante para o cidadão comum do que aquilo que ocorre ao seu lado, com o seu vizinho; e que pode, portanto, acontecer com ele próprio. A sociabilidade é construída a partir dos temas locais e regionais. Isto potencializa o papel da rádio comunitária, da FM e dos jornais locais e regionais (quando existem). A agenda midiática nacional de entretenimento ou jornalismo (televisiva, sobretudo) interage com a temática local, mas ocupa um indisfarçável segundo plano.

Lições antigas

Um viajante interessado pode constatar novamente a verdade dessas pequenas lições já sabidas mas nem sempre lembradas. Percorrer o interior deste país sempre surpreende pela sua riqueza e diversidade. Os temas que povoam as preocupações de observadores profissionais da mídia muitas vezes não são sequer conhecidos neste vasto território nacional (não posso omitir um exemplo: a nova televisão pública, a TV Brasil).

Talvez precisemos mesmo de uma imersão periódica fora do eixo Rio-São Paulo-Brasília para rever velhas lições e compreender melhor o que vem ocorrendo em relação à grande mídia e seus formadores de opinião.

O Brasil real não é necessariamente o Brasil representado na grande mídia.

***

PS: Afirmação do ex-ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, na matéria da revista Piauí nº 16, de janeiro/2008 (pág. 27):

"Ninguém segura estes senadores, não. Eles fazem tudo por uma rádio. Todos têm rádio. Têm sócios ocultos, laranjas. Nem se dão ao trabalho de colocar um pequeno empresário na frente do negócio, nada. Esse Garibaldi [Alves Filho, presidente do Senado] tem duas rádios. Registradas na Anatel e no TSE. E fica por isso mesmo!"

Considerando a posição que ocupou, José Dirceu certamente sabe o que está falando.

Fonte: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=468JDB001

criado por cristinasales    16:22:58 — Arquivado em: Artigos, Cidadania Ativa, Olho na Mídia

7/1/08

Galícia cria fóruns de comunicação e cidadania

O Observatorio Galego dos Medios, do Colexio Profesional de Xornalistas da Galicia, Espanha, criou um Seminário Permanente sobre Comunicação, Cidadania e Jornalismo Social com o objetivo de analisar, estabelecer e fortalecer os vínculos entre o tecido organizativo da sociedade civil (o Terceiro Setor), os profissionais de comunicação e a comunidade acadêmica.

O Observatorio, em colaboração com o Grupo de Investigação “Cidadania e Comunicação” (Cidacom), da Universidade de Santiago de Compostela, celebrou no ano acadêmico 2006/07 quatro Fóruns Internacionais centrados na Comunicação e âmbitos como Gênero, Necessidades Especiais, Juventude e Idosos. Estes Fóruns aconteceram através de um trabalho virtual na Internet, de aproximadamente um mês e meio de duração, e uma jornada presencial. As atas podem ser consultadas no site do Observatório.

Considerando o sucesso da iniciativa, serão celebrados dois novos fóruns, com os temas Comunicação e Voluntariado e Comunicação e Minorias Étnicas. As datas são as seguintes:

Fórum Internacional sobre Comunicação e Voluntariado;
- 01 de fevereiro a 15 março - virtual;
- 15 de março - presencial, não obrigatório, em Santiago de Compostela.

Fórum Internacional sobre Comunicação e Minorias Étnicas;
- 17 de março a 26 de abril - virtual;
- 26 de abril - presencial, não obrigatório, em Vigo.

As normas técnicas para envio de trabalhos (em português, espanhol, galego ou inglês) podem ser obtidas pelo e-mail: observatorio@xornalistas.com

Os textos aceitos serão publicados nas atas do fórum, editadas em formato CD (com ISBN). O Observatorio dos Medios também poderá publicar uma selecção dos artigos na revista Comunicación e Cidadanía, Revista Internacional de Xornalismo Social – Social Journalism International Review.

Mais detalhes: www.observatoriodosmedios.org

criado por cristinasales    10:57:42 — Arquivado em: Agenda, Cidadania Ativa

3/1/08

Minicom abre inscrição para rádios comunitárias

O Ministério das Comunicações abriu inscrições para a concessão de 34 novas rádios comunitárias, localizadas em cidades do interior dos estados do Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Parã, Paraíba, Pernambuco,Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. No estado de São Paulo serão concedidos dois canais para as cidades de Cravinhos e Vista Alegre do Alto.

O aviso foi publicado no Diário Oficial da União do dia 24 de dezembro, e as entidades sem fins lucrativos têm que enviar a documentação em 45 dias.

Fonte: FNDC - http://www.fndc.org.br/internas.php?p=noticias&cont_key=218439

criado por cristinasales    12:47:14 — Arquivado em: Agenda, Políticas Públicas
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