Comunicação & Cidadania

Um espaço para discutir o papel da Comunicação no desenvolvimento social e na consolidação da democracia. Edição: Cristina Sales. TWITTER: Cris__Sales / ORKUT: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=33798239

23/4/09

Divulgada Comissão Organizadora da Confecom

Portaria do Ministério das Comunicações, datada de 20 de abril, constitui a comissão organizadora da 1ª CONFERÊNCIA NACIONAL DE COMUNICAÇÃO - CONFECOM, que acontecerá em Brasília, de 01 a 03 de dezembro deste ano.

PODER PÚBLICO

1.Casa Civil da Presidência da República
2.Ministério das Comunicações
3.Ministério da Ciência e Tecnologia
4.Ministério da Cultura
5.Ministério da Educação
6.Ministério da Justiça
7.Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
8.Secretaria-Geral da Presidência da República
9.Senado Federal
10.Câmara dos Deputados

SOCIEDADE CIVIL

11.ABCCOM - Associação Brasileira de Canais Comunitários
12.ABEPEC - Associação Brasileira das Emissoras Públicas,
Educativas e Culturais
13.ABERT - Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e
Televisão
14. ABRA - Associação Brasileira de Radiodifusores
15.ABRAÇO - Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária
16.ABRANET - Associação Brasileira de Provedores Internet
17.ABTA - Associação Brasileira de TV por Assinatura
18.ADJORI BRASIL - Associação dos Jornais e revistas do
interior do brasil
19.ANER - Associação Nacional de Editores de Revistas
20.ANJ - Associação Nacional de Jornais
21.CUT - Central Única dos Trabalhadores
22.FENAJ - Federação Nacional dos Jornalistas
23.FITERT - Federação Interestadual dos Trabalhadores de
Empresas de Radiodifusão e Televisão
24. FNDC - Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
25.INTERVOZES - Coletivo Brasil de Comunicação Social
26.TELEBRASIL - Associação Brasileira de Telecomunicações
AGÊNCIA NACIONAL

Fonte: www.fndc.org.br

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21/4/09

Decreto da Conferência acelera mobilização

Publicação de decreto agiliza debates da Conferência de Comunicação

Noéli Nobre - Câmara dos Deputados - 17/04/2009 |

Decreto presidencial que oficializa a convocação da Conferência foi publicado hoje pelo Diário Oficial

A comissões nacional e estaduais Pró-Conferência Nacional de Comunicação comemoraram a publicação, nesta sexta-feira (17), do decreto de convocação da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). O encontro será realizado de 1º a 3 de dezembro deste ano, em Brasília, depois de concluídos os debates regionais. Os trabalhos serão coordenados pelo Ministério das Comunicações, e o tema será “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital”. Veja a íntegra do decreto.

A convocação mudou o rumo dos debates das comissões de mobilização que se reuniram nestas quinta e sexta-feiras, com o apoio das comissões de Direitos Humanos e Minorias; de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e de Legislação Participativa, para discutir propostas para a organização do evento. O próximo passo das comissões será mobilizar os estados e reunir suas sugestões quanto à metodologia dos trabalhos para enviar à comissão organizadora da Confecom, que será constituída por meio de portaria do Ministério das Comunicações.

“É preciso mobilizar a sociedade brasileira como um todo. Esperamos que a metodologia da conferência e os temas a serem debatidos reflitam nossas expectativas”, disse o professor Fernando Paulino, da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, que coordenou a videoconferência realizada com os estados.

Ao saber do decreto, o presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Luiz Couto (PT-PB), pediu que a sociedade se organize o mais rapidamente possível. “Não podemos achar que está tudo resolvido com o decreto. Temos muitas tarefas a cumprir, e a sociedade civil, em cada estado, deve entrar em contato com o Poder Legislativo, que muitas vezes não acompanha o processo na mesma velocidade”, disse.

Ele afirmou ainda que é preciso lutar depois pela implementação, pelo governo, das resoluções da conferência nacional e pelo reconhecimento do acesso à comunicação como um direito humano.

Metodologia
Um dos pontos de metodologia de trabalhos sobre os quais ainda não há consenso é o caráter deliberativo ou não da conferência. Na quinta-feira, parte dos debatedores defendeu o caráter vinculativo das resoluções, de modo que elas sejam obrigatoriamente adotadas pelo governo. A comissão nacional de mobilização, no entanto, considerou arriscada uma decisão como essa, uma vez que esta será a primeira conferência do setor e ainda não se sabem seus resultados.

Outro temor diz respeito à representação da sociedade civil, que deverá participar com sete entidades da comissão organizadora da Confecom. A comissão nacional pela conferência havia sugerido a participação de 15 entidades, para contrapor aos 7 representantes dos empresários, 7 do governo e 4 do Parlamento. “O empresariado é uma minoria e não pode ser igualado à sociedade”, afirmou o integrante do Coletivo Brasil de Comunicação Social (Intervozes) Jonas Valente.

Democratização
Valente também destacou pontos que já são consenso para democratizar a comunicação social no País. Não deveria, por exemplo, haver monopólio dos meios e as emissoras de televisão e televisão deveriam ser obrigadas a transmitir produção indepentente regional, ação prevista na Constituição.

“A comunicação democrática é plural e diversa. A população deve contar com meios e condições de se expressar e poder opinar sobre a destinação de um canal de televisão. Hoje vence as licitações quem tem capacidade econômica”, declarou.

As comissões nacional e estaduais de mobilização se reunirão novamente no dia 22 de maio para organizar as propostas de trabalho que serão enviadas à comissão organizadora.

Fonte: www.fndc.org.br

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11/4/09

A incompetência da NET

Ser cliente da NET é pior que morar na Sibéria.

Sou assinante da NET que, aliás, me cobra uma fortuna. Desde o dia 29 de março minha TV está sem som. Isso memso, todos os canais estão mudos! Já liguei mais de dez vezes para lá e a cada ligação eles fazem as mesmas perguntas e dão informações diferentes e sem sentido. As visitas marcadas não são cumpridas e na única vez que um técnico veio à minha casa, o problema voltou uma hora após a saída dele.

A visita que marquei ontem – para o domingo de Páscoa! – não foi realmente agendada, pois ao ligar hoje ela não estava registrada no cadastro do atendente. Tento falar com um supervisor de atendimento, mas os atendentes me deixam no modo de espera até a ligação cair. Ou seja, somos reféns da incompetência e ainda temos que pagar por isso…

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6/4/09

Mídia e Paz

É possível usar a mídia para a paz?

Ana Bittencourt

Diante da expectativa da realização da I Conferência Nacional de Segurança Pública (em agosto) e de que saia do papel a intenção do governo federal de organizar, enfim, a I Conferência Nacional de Comunicação (prometida durante o FSM 2009), um passo concreto foi dado recentemente, fortalecendo o esforço que a sociedade civil vem fazendo para intervir de forma direta no debate sobre mídia e violência. Especialistas em estudos sobre violência e profissionais de mídia das Américas se reuniram nos últimos dias 26 e 27 de março, no Rio de Janeiro, para analisar em conjunto o espinhoso tema de peito aberto, sem reservas.

Segundo dados divulgados pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes (Cesec/Ucam) — responsável pela organização do evento em parceria com a Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ) –, 50 mil pessoas são assassinadas a cada ano no Brasil. A taxa de homicídios do país aumentou 77% em 20 anos, situando o país entre os mais violentos do mundo. As principais vítimas são homens jovens negros, moradores de favelas e periferias. Mas o que a mídia tem a ver com tudo isso?

Os dados — publicados no livro Mídia e Violência, de Silva Ramos (entrevista em destaque) e Anabela Paiva — foram o pano de fundo para esquentar o debate internacional, que reuniu, no campus da Praia Vermelha da UFRJ, cerca de 150 profissionais de comunicação e pesquisadores(as) do tema. Os dois dias de discussão reafirmaram a responsabilidade e o (des)compromisso da mídia na fundamentação de estereótipos e preconceitos que acirram o clima de violência entre a sociedade, principalmente nas metrópoles. Além disso, ficou latente a necessidade de mudança na forma de cobrir e divulgar esse cotidiano violento para que possamos caminhar, aos poucos, como sugeriu o jornalista Fernando Molica, de uma cobertura de polícia para uma cobertura de segurança pública no Brasil.

Para Molica, diretor da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraje) e colunista do Informe O Dia, apesar do cenário atual, houve uma melhoria nessa cobertura nas últimas cinco décadas, como aponta outro livro, este da Abraje: Cinquenta anos de crimes, com análises de 19 reportagens de 1950 a 1990.

“Antes, a sociedade aparecia na imprensa de maneira mais harmônica, equilibrada, e o crime era mostrado como um elemento externo a essa sociedade dita perfeita. Os criminosos viravam personagens, nos quais os jornais se concentravam. Ao longo do tempo, a mídia começa a falar mais fortemente de crime organizado, o jornalismo policial tradicional entra em decadência e a expressão ‘direitos humanos’ começa a fazer parte das coberturas”, conta ele, enfatizando como positivo o fato de a polícia não ser mais a fonte principal dos(as) jornalistas no levantamento de informações, além da própria postura crítica desses profissionais, que questionam os dados ditos ‘oficiais’ e buscam outros com recortes mais sociais.

Estudo realizado pelo professor do Programa de Pós-graduação da ECO/UFRJ, Paulo Vaz, a partir de reportagens do jornal O Globo (publicadas na versão impressa e na internet), mostra como a narrativa do crime afeta a sociedade, que, por sua vez, pressiona o governo exigindo, cada vez mais, a implementação de políticas públicas repressivas como solução para a violência.

“A pobreza, há algumas décadas, era apresentada na mídia como causa do crime, essa percepção mudou. Hoje, ela é um marcador de risco. A rotina segura tonou-se um valor maior e, em nome dela, limita-se a liberdade e discriminam-se certos grupos sociais”, indigna-se. Segundo o professor, nas notícias pesquisadas sobre violência, em praticamente 50%, a palavra ‘tráfico’ aparece associada às favelas.

Na análise da professora Ivana Bentes, diretora da ECO, o discurso de criminalização da pobreza vem sendo engendrado pela mídia pelo menos desde a década de 1920, quando se começou a relacionar favela a algo feio e à pobreza. “É possível observar nessas matérias a recorrente presença do termo ‘fábrica de violência’, bem como a ausência de sujeitos, como se a pobreza surgisse espontaneamente em determinado território e fosse algo ilegal e imoral”, ressalta.

Ivana enfatiza que essa mesma metáfora do pobre ameaçador está presente em filmes e novelas antigos, como “Orfeu”, de 1957, e atuais, como “Cidade de Deus”, de 2002: “Ou é a versão romantizada do pobre correto e absolutamente conformado com sua situação ou a do criminoso perigoso. São discursos opostos que convivem na mídia, passando do jornalismo para a ficção”, completou.

Mas ela também enxerga uma áurea de mudança nesse discurso, que começa a dar destaque a territórios produtivos e a apontar novos sujeitos dentro das favelas. “A favela produz linguagem, moda e signos que estão sendo incorporados no território urbano. Hoje, a moda carioca está muito pautada na periferia”, diz.

A situação vivenciada pelos(as) moradores(as) da favela Santa Marta, em Botafogo, dá uma ideia das consequências da criminalização da pobreza. Desde novembro de 2008, a região está sob ocupação da Polícia Militar, os bailes funk foram proibidos e discute-se a possibilidade de se criar um muro no seu entorno. Diante dessas mudanças, a mídia vem retratando a favela como modelo de segurança e tranquilidade. Mas o que, à primeira vista, talvez pareça positivo, pode ser só mais uma forma de reafirmar o preconceito, é o que defende o jornalista Itamar Silva, morador e liderança comunitária da região e coordenador do Ibase.

“O governador do Rio diz que vai fazer do Santa Marta um exemplo de legalidade, mas o que será preciso conter para que isso ocorra?“, questiona. Itamar lembra a nova estratégia da mídia para levar uma mensagem positiva a esse contexto de ocupação: “transmitir uma imagem da polícia negra, feminilizada, também com cara de pobre, que está atuando como pacificadora ou controladora daquele espaço”. Ele conta que dentro do Santa Marta (que os jornais insistem em intitular de ‘Dona Marta’, desrespeitando o histórico e a identidade locais), há grupos que vêm tentando lançar para a opinião pública um olhar mais crítico sobre essa ocupação, mas as pautas não emplacam. “Tentamos furar a mídia com outras pautas, mas qualquer crítica à ocupação é vista como aliada ao tráfico, assim a favela continua sendo vista de forma criminosa”, declara.

Itamar não acredita que a mídia, muito menos a polícia, possam um dia se tornar aliadas das favelas, já que são instituições com papéis muito definidos em nossa sociedade e compromissos claros com as elites brasileiras. Mas deposita alguma esperança nas novas mídias: “É preciso multiplicar as mídias alternativas para que as favelas sejam retratadas com todas a sua diversidade e complexidades”, finaliza.

Confira também a entrevista com a coordenadora do Cesec/Ucam, autora do livro Mídia e violência, Silva Ramos.

Publicado em 3/4/2009.
Fonte: Ibase
http://www.ibase.br/modules.php?name=Conteudo&pid=2618

criado por cristinasales    21:34:08 — Arquivado em: Cidadania Ativa
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