Comunicação & Cidadania

Um espaço para discutir o papel da Comunicação no desenvolvimento social e na consolidação da democracia. Edição: Cristina Sales. TWITTER: Cris__Sales / ORKUT: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=33798239

18/8/09

Brasil é tema da Mostra de documentários La Imagen del Sur

Inscrições até 30 de agosto

Em novembro de 2009 Córdoba, cidade espanhola da região de Andaluzia, acolhe mais uma vez esta mostra de cine social, organizada pela ONG CIC Batá, que se distingue por não ser competitiva e por uma estrutura de cine fórum com a participação dos próprios produtores, diretores ou atores dos filmes exibidos.

Como seu nome indica, este evento aborda a realidade dos países empobrecidos a partir da visão de seus protagonistas e com a possibilidade de debates sem intermediações após cada projeção.

Com sete anos de existência, a mostra pretende informar e sensibilizar o público de Córdoba (Espanha), em relação às desigualdades, abordando história e contextos sóciopolíticos do hemisfério sul mas também propondo soluções e mudanças nos hábitos de consumo. Além desta cidade, a atividade ocorrerá posteriormente em Sevilha e Huelva.

Este ano a programação será dedicada ao Brasil que terá especial atenção a seu marco político, social e econômico através de imagens que revelem a produção brasileira ou vinculada a nosso país. Outros materiais também serão expostos.

Para participar, visite as páginas da convocatória e da ficha de inscrição (links abaixo) para saber mais detalhes. Podem concorrer produções de qualquer país da América Latina, África, Europa e Ásia. Se priorizam trabalhos que valorizem o cine de ficção e documentários com temáticas sociais realizados de maneira independente, enfocando a promoção da justiça, a igualdade e a inclusão social, a defesa dos direitos humanos e a defesa de formas de desenvolvimento sustentável.

Outras informações podem ser obtidas em www.cicbata.org

Convocatória
http://www.scribd.com/doc/16472539/Convocatoria-La-Imagen-Del-Sur-20092010

Ficha de inscrição
http://docs.google.com/View?id=ddqhtv23_56cz5vm4cr

criado por cristinasales    20:48:33 — Arquivado em: Agenda, Cinema e Vídeo, Festivais e Prêmios — Tags:

23/1/09

Vídeos no site do FSM

Vídeos de várias partes do mundo mostrando movimentos sociais, entrevistas e
mobilizações estão disponíveis na página na WSFTV, a TV do Fórum Social Mundial (WSF).
Qualquer pessoa pode postar seus vídeos, desde que seja registrada na
página.

Acesse: http://www.wsftv.net

criado por cristinasales    22:02:50 — Arquivado em: Cidadania Ativa, Cinema e Vídeo, Sites e Blogs

31/12/08

Cota de tela continua valendo

Mantida reserva de mercado para o filme nacional

Em 2009, o número de dias de exibição obrigatória de filmes nacionais nos cinemas brasileiros será igual ao de 2008. O total varia de acordo com o número de salas. Para complexos com seis salas, por exemplo, a exigência é de 63 dias. A reserva de mercado para a produção nacional, conhecida como cota de tela, é definida, a cada ano, por meio de decreto presidencial. Este é o terceiro ano consecutivo em que a cota de tela não varia.

Menos espectadores
O desempenho do cinema brasileiro em 2008, porém, deve ser inferior ao de 2007. De acordo com dados preliminares da Ancine (Agência Nacional de Cinema), a produção nacional teve público de 8 milhões de espectadores (até o último dia 4), o que corresponde a 9,93% do público total.
Em 2007, houve 10,3 milhões de espectadores para o filme brasileiro, representando 11,6% do total, segundo levantamento do portal Filme B.

Fonte: Folha de SP - 31/12/08

criado por cristinasales    15:21:50 — Arquivado em: Cinema e Vídeo, Políticas Públicas

2/10/08

Cinema e direitos humanos na América do Sul

No período de 6 de outubro a 6 de novembro, a 3ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul leva a 12 capitais brasileiras o olhar singular de cineastas sul-americanos sobre temas, valores e dilemas que dizem respeito à dignidade da pessoa humana. Mais do que isso, essa terceira edição celebra os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que é em si um roteiro para a paz na humanidade.

Data: 6 de outubro a 6 de novembro.

Confira a programação:
http://www.cinedireitoshumanos.org.br/2008/index.htm

criado por cristinasales    21:14:02 — Arquivado em: Agenda, Cidadania Ativa, Cinema e Vídeo

7/7/08

Rádio Vai da Cadeia Para as Telas

Documentário amplia voz de mulheres encarceradas

Dirigido pelos jornalistas Werinton Kermes e Luciana Lopez o documentário “Povo Marcado” enfoca o programa de rádio de mesmo nome criado, no segundo semestre de 2007, na Cadeia Feminina de Votorantim (interior do estado de São Paulo). O programa é produzido pelas detentas, com apoio de jornalistas voluntários e de uma equipe técnica, e pode ser retransmitido para mais de 1000 emissoras, através da Rádio Câmara.

Segundo Werinton Kermes, diretor do filme, “a intenção foi proporcionar reflexão sobre o que é possível ser feito para que os encarcerados possam cumprir suas penas e retornar ao convívio social depois que pagar pelos seus crimes. O documentário pretende ampliar a divulgação das possibilidades de ações culturais em presídios e cadeias e salientar que isto não depende única e exclusivamente dos poderes públicos, pois qualquer um pode contribuir com ações como a retratada".

"Ao retratar o programa das detentas, o documentário mostra que a recuperação de encarcerado, depende de oportunidades, tanto de trabalho como de voz, enquanto pagam pelos crimes que cometeram. Caso contrário, continuaremos a ser vítimas desse sistema falido, que não recupera, apenas acondiciona pessoas da pior forma possível, o que desfavorece a saída do mundo do crime", afirmou Luciana Lopez, também diretora do filme.

Compõem o roteiro, depoimentos emocionados de familiares das detentas que acompanham de suas casas, através do rádio, os programas realizados na Cadeia. "As detentas também participaram do documentário com a mesma dedicação que fazem o programa de rádio, uma vez que elas sabem que o filme vai alcançar pessoas que jamais poderiam ouví-las", explicou Kermes.

O média-metragem conta também com a participação de alguns dos entrevistados no programa de rádio, entre eles, o ator Paulo Betti, o Padre Júlio Lancelotti, o promotor Wellington Veloso e da dupla Caju e Castanha, que compôs uma embolada especialmente para o filme.

A intenção dos produtores é exibir o vídeo em locais estratégicos, como Assembléias Legislativas, espaços culturais, e para formadores de opinião, como jornalistas, universitários, além de canais de TV com programação cultural e educativa. "Vamos mostrar para as presas de Votorantim e já recebemos convites para exibí-lo na Casa da Gávea (Rio de Janeiro/RJ), na UFMA (São Luís/MA), na TV Rede Minas (MG). Também faremos exibições em Brasília, em frente ao Palácio da Justiça, e outra em São Paulo, na praça João Mendes (em frente ao Fórum), com isto acredito que estamos contribuindo de forma prática para que o sistema carcerário brasileiro possa ser repensado", concluiu Kermes. O documentário também está sendo disponibilizado a entidades e ONGs que trabalham com encarcerados.

Cópias do material estão sendo enviadas para festivais de todo o Brasil e também serão enviadas para outros países das Américas e da Europa. O filme foi traduzido para o inglês e espanhol.

Segundo Míriam Cris Carlos, doutora em Comunicação e roteirista do documentário, a intenção é tornar ampla e pública essa questão da ‘inclusão pela comunicação’ e para isso exemplificar com um projeto que deu certo e que pode ser adotado como referência em outros locais, que é o Programa Povo Marcado. "Os meios de comunicação, principais fontes de construção da realidade e da crítica, sob a óptica deste trabalho, fazem emergir um universo de vozes caladas, que desejam ser ouvidas, por mais incômodas que possam ser as mensagens que elas veiculam", explicou.

O filme tem 30 minutos e foi produzido pela PROVOCARE Multimídia, com edição de imagens de Marcelo Domingues. Contou com o apoio da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Cadeia Feminina de Votorantim/SP, Secretaria de Cultura de Votorantim/SP, Grupo Imagem e Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região.

Ficha técnica: Direção: Werinton Kermes e Luciana Lopez; Roteiro: Míriam Cris Carlos; Edição: Marcelo Domingues; Produção: Luciana Lopez; Direção de fotografia: Werinton Kermes; Câmeras: Alexandre Miliani, Edson Cortez, Leandro Alamino, J. Valério, Jonathas Ventura Ribeiro, Jorge Silva, Regis Augusto Miliani e Werinton Kermes; Trailer: Leandro Alamino; Fotos: Marcos Ferreira; Still: Luciana Lopez, Marcos Ferreira e Werinton Kermes; Decupagem: Carlos Augusto Matias, Cintian Moraes e Vanessa Travassos; Estagiárias: Giulia Braga e Vanessa Nunes; Contra-regras: Rosano Soares, Renato Garcia e Adriano Gianolla; Equipe externa do Programa "Povo Marcado": José Carlos Balotim, Davi Alamino, José Carlos Nogueira, Elizabete Silveira, Cristiane Carvalho, Aristides Matias, Sandra Regina Gonçalves e Jonas de Camargo.

Fonte:
http://povomarcado.blogspot.com

Contato:
povomarcado@gmail.com

Veja o trailer:
http://br.youtube.com/watch?v=APdXU_Ggfzs

criado por cristinasales    11:09:16 — Arquivado em: Cidadania Ativa, Cinema e Vídeo, Projetos em Foco

3/7/08

Consumismo Infantil

Campanha alerta sobre perigos do incentivo ao consumo

O projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, está desenvolvendo uma campanha de conscientização, composta por cinco vídeos, que têm o objetivo de divulgar conteúdos de fácil absorção sobre as conseqüências do consumismo infanto-juvenil.

A campanha aborda os impactos desse comportamento por meio de mensagens educativas direcionadas a pais, educadores e formadores de opinião. Os vídeos têm a finalidade de fomentar a reflexão sobre temas como obesidade infantil, erotização precoce, alcoolismo, stress familiar, delinqüência e violência. Os dois primeiros vídeos produzidos já podem ser vistos no sítio do projeto.

Instituto Alana

criado por cristinasales    10:52:02 — Arquivado em: Cidadania Ativa, Cinema e Vídeo

2/6/08

Vem aí a quinta edição do Femina

Promovido desde 1994, o FEMINA - Festival Internacional de Cinema Feminino - destaca o trabalho da mulher no cenário cinematográfico e estimula o debate sobre questões do universo feminino, promovendo a igualdade de gênero.

As inscrições de filmes para as Mostras Competitivas da edição 2008, que acontecerá de 02 a 08 de junho, na Caixa Cultural, Rio de Janeiro, já estão abertas. O Festival é realizado pelo instituto de Cultura e Cidadania Femina.

Saiba mais:
http://www.feminafest.com.br/

criado por cristinasales    13:25:05 — Arquivado em: Agenda, Cinema e Vídeo, Festivais e Prêmios

27/3/08

Romeu e Julieta da Favela

Pré-estréia de "Maré, nossa história de amor"

Pipoca, cinema e debate. Este trio que raramente se encontrava dentro de favelas está cada vez mais se fazendo presente. O último encontro foi na segunda-feira, 24 de março, na quadra da Escola de Samba Gato de Bonsucesso, na comunidade de Nova Holanda, no conjunto de favelas da Maré (RJ). Na quadra, mais de 400 pessoas, entre crianças, moradores e alunos do pré-vestibular comunitário assistiram à pré-estréia de "Maré, nossa história de amor", dentro da programação do Cineclube Sem Tela. O filme entra em cartaz no dia 4 de abril.

A exibição contou com a presença da diretora Lúcia Murat, dos protagonistas do musical Cristina Lago e Vinícius D’Black, além dos atores Jefchander Lucas e Anjo Lopes. Também estiveram presentes os jovens do grupo de rap Nação Maré, MS Bom, Leroy e Nego Jeff, que participam do filme.

Lúcia ressaltou a importância de se fazer uma pré-estréia dentro da comunidade e de seus moradores terem a oportunidade de debater com o diretor um filme que trata do tema favela. Rodeados de crianças, os atores e a diretora conversaram, após a exibição, com o público, respondendo a questões colocadas pelos moradores.

O filme mostra a história de amor de Analídia (Cristina Lago) e Jonathan (Vinícius D’Black), dois jovens moradores da Maré, alunos do grupo de dança idealizado pela professora Fernanda (Marisa Orth). Mas, nesta releitura do clássico Romeu e Julieta, a briga entre duas facções do tráfico pode se tornar um obstáculo para o amor e a arte. No elenco, estão também Babu Santana, Flávio Bauraqui, Elisa Lucinda e Malu Galli.
Antes do filme, o fotógrafo da Agência Imagens do Povo Paulo Henrique exibiu fotos sobre a Escola de Samba Gato de Bonsucesso. O fotógrafo acompanhou o trabalho da Escola em 2008 desde a confecção das fantasias e carros alegóricos ao desfile na Avenida.

Cineclube Sem Tela

Uma iniciativa do Observatório de Favelas, em parceria com o Instituto Vida Real, Rede de Desenvolvimento da Maré (Redes) e Raízes em Movimento, o Cineclube Sem Tela exibe filmes semanalmente na sede do Observatório de Favelas, na Maré, e também uma exibição semanal itinerante em escolas, praças e pré-vestibulares dos conjuntos de favelas da Maré e do Alemão.

No dia 5 de abril o Sem tela está presente no Circulando, organizado pelo Núcleo de Comunicação Crítica do Alemão. Dessa vez o evento acontece na Rua Sebastião de Carvalho, esquina com a Avenida Itararé, no Morro do Alemão.

Fonte: Observatório de Favelas
http://www.observatoriodefavelas.org.br/observatorio/noticias/noticias/4645.asp

Fotos: Ratão Diniz / Imagens do Povo

criado por cristinasales    18:29:22 — Arquivado em: Cinema e Vídeo

10/10/07

Muniz Sodré fala de Tropa de Elite

Sobre a intimidade com monstros

Por Muniz Sodré* em 9/10/2007

É de Friedrich Nietzsche a advertência: quem combate monstros deve tomar cuidado para não se tornar, ele próprio, um monstro. É uma reflexão oportuna no instante em que a imprensa diária e semanal vem dedicando um considerável espaço continuado à discussão sobre o filme Tropa de Elite. Nunca um produto da cinematografia nacional suscitou tanto debate, e não apenas entre a crítica especializada, mas sobretudo junto à sociedade global, inclusive por parte daqueles que nem sequer ainda assistiram ao filme.

A pergunta estampada na capa da revista CartaCapital desta semana (7/14 de outubro) resume a questão: por que a maior parte do público vê como herói o "capitão Nascimento"? Este, só para rememorar, é o personagem vivido na tela pelo ator Wagner Moura. Trata-se da representação de um oficial do BOPE, unidade de elite da Polícia Militar do Rio de Janeiro, que encarna, ideológica e praticamente, a divisa daquele grupo: rejeitar a corrupção policial e "deixar corpos no chão" após suas incursões em favelas.

A discussão, do mesmo modo que uma análise freudiana, será provavelmente interminável junto à sociedade global, mas certamente terá um fim inconcluso por parte da mídia, uma vez que, como bem se sabe, as notícias ou os assuntos obedecem a um ciclo temporal com picos e quedas, na medida do desgaste da atenção que suscitam.

Formas de cidadania

Agora, entretanto, ainda no aceso da questão, é possível flagrar, num ensaio de análise de recepção, dois grupos de opiniões junto ao público. O primeiro corresponde à geração "cinquentona", que vivenciou a ditadura militar e, convicta quanto à crença no universalismo dos direitos humanos, permanece atenta aos riscos de quebra dos padrões da democracia clássica. O segundo grupo corresponde aos jovens, pós-ditadura, educados pela nova democracia social, cujos valores têm basicamente a ver com o consumo.

Registram-se aí, na verdade, dois sentidos diversos de cidadania, que é um conceito-chave para a experiência democrática. Foi T.H. Marshall quem o generalizou, a partir do caso inglês, no início do século 20. Para ele, a cidadania tem como elementos constitutivos os direitos de primeira geração (civis e políticos), frutos dos séculos 18 e 19, e de segunda geração (sociais), conquistados no século 20. Os civis, preconizados pelo liberalismo clássico, correspondem aos direitos individuais de igualdade, propriedade, liberdade, expressão etc.; os políticos, direitos individuais exercidos coletivamente, referem-se à liberdade de associação e reunião, ao sufrágio universal, à organização política e sindical etc. Por sua vez, os direitos sociais dizem respeito à garantia de acesso ao bem-estar coletivo, traduzido em recursos como trabalho, educação, saúde, etc.

Estas várias formas de cidadania estão politicamente conectadas, e podem ser resumidas, a exemplo do cientista político Carlos Nelson Coutinho, como "a capacidade conquistada por alguns indivíduos, ou (no caso de uma democracia efetiva) por todos os indivíduos, de se apropriarem dos bens socialmente criados, de atualizarem todas as potencialidades de realização humana abertas pela vida social em cada contexto historicamente determinado".

Magnitude destrutiva

Ora, para os membros do segundo grupo a que aludimos acima (os mais jovens), cidadania de hoje se comprova no exercício pleno dos direitos sociais, dentre os quais se acha particularmente ameaçada a segurança individual, ou seja, a liberdade de ir e vir. Os mais pobres, nas favelas, estão submetidos à mais absurda das ditaduras, exercida por traficantes ou então por milicianos, que consiste na prática em imposição de toque de recolher e de formas particulares de conduta. Os mais abastados têm a sensação de que a cidade, repartida em zonas de perigo, lhes foi expropriada pelos bandos ilegalistas.

E não se trata de meras "sensações". O pensador alemão Jurgen Habermas sustenta que "para tutelar a integridade dos sujeitos jurídicos, o sistema deve também equiparar e tutelar com rigor – sob o controle dos cidadãos – os contextos de vida que garantem a sua identidade". Em outras palavras, quando o Estado perde o domínio prático dos territórios sobre os quais exerce formalmente a sua soberania, esboroam-se as ficções jurídicas que sustentam a sua autoridade, tornam-se letra morta os dispositivos da democracia liberal.

Isso acontece normalmente em situações de guerra. Enfatizamos o "normalmente", porque, embora não haja situação bélica formalmente declarada nas megalópoles brasileiras (Rio de Janeiro e São Paulo são megalópoles, não mais velhas metrópoles), a situação real é de guerra, evidenciada na magnitude destrutiva das armas usadas, nas torturas, na impiedade de parte a parte. São estas as aparências encenadas pelo filme Tropa de Elite.

Suja e triste

"Fascismo" não é um termo esclarecedor do comportamento dos personagens, apesar de sabermos o quanto o perigo do totalitarismo ronda as exceções da lei. O que há mesmo é a realidade de uma guerra cotidiana não formalmente declarada e não suficientemente ponderada pelas elites pensantes. O alemão Hans Magnus Enzensberger sugeriu o conceito de "guerra civil molecular" para esse tipo de conflagração, e talvez seja o caso de prestar mais atenção à idéia.

Nesse tipo de guerra, são socialmente responsáveis os administradores de cidades que respondem com um "ilegal, e daí?" à desagregação territorial urbana; os que acham "inocente" ou "descomprometido" com a violência o consumo de drogas; os que assistem indiferentes à depredação dos equipamentos públicos; os dirigentes que subestimam ou subestimaram o problema da segurança individual. Partilham, queiram ou não, da monstruosidade do "capitão Nascimento".

Em meio à falta de valores públicos, não é de se estranhar que o público jovem de Tropa de Elite possa acabar aplaudindo o "capitão Nascimento" – uma encarnação da antidemocracia, certo, mas alguém ainda capaz de proclamar uma diferença entre o certo e errado, semiotizado como herói de guerra.

Um novo tipo de guerra – miúda, mas suja e triste – do cotidiano nacional.

* Jornalista, escritor, doutor em comunicação e professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Fonte: Observatório da Imprensa
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=454CID001

criado por cristinasales    09:08:12 — Arquivado em: Artigos, Cinema e Vídeo, Olho na Mídia

3/10/07

Mostra de Vídeo Comunitário no CDI SP

Nesta quinta-feira, 4, o Comitê para Democratização da Informática (CDI) de São Paulo lança a I VídeoAção - Mostra de Vídeo Comunitário. Um VídeoAção, como o próprio nome diz, é um vídeo que evidencia pessoas agindo na solução de problemas que afetam seu cotidiano. Mais do que protagonizar uma ação, essas pessoas também registram e comunicam, sob seu ponto de vista, a intervenção que fazem em sua própria realidade.

Desemprego, preconceito, falta de moradia, acúmulo de lixo nas favelas. Mais do que cansadas de conviver com esses problemas, as 15 equipes participantes da I VídeoAção estão articulando soluções para estes verdadeiros desafios urbanos. São mutirões, debates, caminhadas e manifestações no centro e principalmente nas periferias da grande São Paulo. Tudo isso registrado em vídeo por estes mesmos grupos, protagonistas destas ações.

Confira a programação da Mostra no site http://www.cdisaopaulo.org.br

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